Maria Betânia Chico Xavier um homem chamado amor
Certa feita, acabada a sessão espírita, descera Bezerra de Menezes ainda emocionado, as escadas da Federação Espírita Brasileira, quando localizou um irmão, de seus 45 anos, cabelos em desalinho, com a roupa suja e amarrotada.
Os dois se olharam, Bezerra compreendeu logo que ali estava um caso todo particular para ele resolver, e levou o desconhecido para um canto e lhe ouviu, com atenção, o desabafo, o pedido:
- Dr. Bezerra, estou sem emprego, com a mulher e dois filhos doentes e famintos... E eu mesmo, como vê, estou sem alimento e febril!
Bezerra, apiedado, verificou se ainda tinha algum dinheiro. Nada encontrou nos bolsos, apenas a passagem do bonde...
Tornou-se mais apiedado e apreensivo.
Levantou os olhos já molhados de pranto para o alto e, numa prece muda, pediu inspiração a Maria Santíssima, seu anjo tutelar e solucionador de seus problemas.
- Meu filho, você tem fé em Nossa Senhora, a Mãe do Divino Mestre, a nossa Mãe Querida?
- Tenho e muita Dr. Bezerra!
- Pois, então, em Seu Santíssimo Nome, receba este abraço...
E abraçou o desesperado irmão, envolvente e demoradamente. E, despedindo-se, disse:
- Vá, meu filho, na Paz de Jesus e sob a proteção do Anjo da Humanidade...
E, em seu lar, faça o mesmo com todos os seus familiares, abraçando-os, afagando-os. E confie Nela, no amor da Rainha do Céu, que seu caso há de ser resolvido!
Bezerra partira. A caminho do lar, meditava se teria comprido seu dever, será que possibilitar ajuda ao irmão em prova, faminto e doente?
E arrependia-se por não lhe haver dado senão um abraço.
Não possuía nenhum dinheiro.
O próprio anel de grau já não estava nos seus dedos.
Tudo havia dado. Não tendo dinheiro, dera algo de si mesmo, vibrações, bom ânimo, moeda da alma ao irmão sofredor e não tinha certeza de que isto lhe bastara...
E, nesse estado de espírito, preocupado pela sorte de um seu semelhante, chegou ao lar!
Uma semana se passara e Bezerra não se recordava mais do sucedido.
Muitos eram os problemas alheiros...
Após a sessão de outra 3ª feira, descia as escadas da FEB, quando alguém no mesmo lugar da escada, trazendo na fisionomia toda a emoção do agradecimento, toca-lhe o braço e lhe diz:
- Venho agradecer-lhe, Dr. Bezerra o abraço milagroso que me deu na semana passada, neste local e nesta mesma hora.
Daqui saí logo me sentindo melhor.
Em casa, cumpri seu pedido e abracei minha mulher e meus filhos.
Na linguagem do coração, oramos todos à Mãe do Céu. Na água que bebemos, parece, continha alimento, pois dormimos todos bem..
.
No dia seguinte, estávamos sem febre e como que alimentados.
E veio-me a inspiração, guiando-me a uma porta, que se abriu e alguém por ela saiu, ouviu meu problema, condoeu-se de mim e me deu um emprego, no qual estou até hoje...
E venho lhe agradecer a grande dádiva que o senhor me deu, arrancada de si mesmo, maior e melhor do que dinheiro!
O ambiente era tocante! Lágrimas caíam tanto dos olhos de Bezerra como do irmão beneficiado e desconhecido.
E numa prece muda, de dois corações unidos, numa mesma força gratuita, subiu aos Céus, louvando Aquela que é, em verdade, a porta de nossas esperanças, a Mãe Sublime de todas as mães, a advogada...
Louvado seja Maria Santíssima

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