sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Bezerra de Menezes







Maria Betânia Chico Xavier um homem chamado amor

Certa feita, acabada a sessão espírita, descera Bezerra de Menezes ainda emocionado, as escadas da Federação Espírita Brasileira, quando localizou um irmão, de seus 45 anos, cabelos em desalinho, com a roupa suja e amarrotada.

Os dois se olharam, Bezerra compreendeu logo que ali estava um caso todo particular para ele resolver, e levou o desconhecido para um canto e lhe ouviu, com atenção, o desabafo, o pedido:

- Dr. Bezerra, estou sem emprego, com a mulher e dois filhos doentes e famintos... E eu mesmo, como vê, estou sem alimento e febril!

Bezerra, apiedado, verificou se ainda tinha algum dinheiro. Nada encontrou nos bolsos, apenas a passagem do bonde...

Tornou-se mais apiedado e apreensivo. 

Levantou os olhos já molhados de pranto para o alto e, numa prece muda, pediu inspiração a Maria Santíssima, seu anjo tutelar e solucionador de seus problemas.

- Meu filho, você tem fé em Nossa Senhora, a Mãe do Divino Mestre, a nossa Mãe Querida?

- Tenho e muita Dr. Bezerra!

- Pois, então, em Seu Santíssimo Nome, receba este abraço...

E abraçou o desesperado irmão, envolvente e demoradamente. E, despedindo-se, disse:

- Vá, meu filho, na Paz de Jesus e sob a proteção do Anjo da Humanidade... 

E, em seu lar, faça o mesmo com todos os seus familiares, abraçando-os, afagando-os. E confie Nela, no amor da Rainha do Céu, que seu caso há de ser resolvido!


Bezerra partira. A caminho do lar, meditava se teria comprido seu dever, será que possibilitar ajuda ao irmão em prova, faminto e doente?

E arrependia-se por não lhe haver dado senão um abraço. 

Não possuía nenhum dinheiro. 

O próprio anel de grau já não estava nos seus dedos.

Tudo havia dado. Não tendo dinheiro, dera algo de si mesmo, vibrações, bom ânimo, moeda da alma ao irmão sofredor e não tinha certeza de que isto lhe bastara...

E, nesse estado de espírito, preocupado pela sorte de um seu semelhante, chegou ao lar!

Uma semana se passara e Bezerra não se recordava mais do sucedido.

Muitos eram os problemas alheiros...

Após a sessão de outra 3ª feira, descia as escadas da FEB, quando alguém no mesmo lugar da escada, trazendo na fisionomia toda a emoção do agradecimento, toca-lhe o braço e lhe diz:

- Venho agradecer-lhe, Dr. Bezerra o abraço milagroso que me deu na semana passada, neste local e nesta mesma hora. 

Daqui saí logo me sentindo melhor. 

Em casa, cumpri seu pedido e abracei minha mulher e meus filhos. 

Na linguagem do coração, oramos todos à Mãe do Céu. Na água que bebemos, parece, continha alimento, pois dormimos todos bem..
.
No dia seguinte, estávamos sem febre e como que alimentados. 

E veio-me a inspiração, guiando-me a uma porta, que se abriu e alguém por ela saiu, ouviu meu problema, condoeu-se de mim e me deu um emprego, no qual estou até hoje...

E venho lhe agradecer a grande dádiva que o senhor me deu, arrancada de si mesmo, maior e melhor do que dinheiro!

O ambiente era tocante! Lágrimas caíam tanto dos olhos de Bezerra como do irmão beneficiado e desconhecido. 

E numa prece muda, de dois corações unidos, numa mesma força gratuita, subiu aos Céus, louvando Aquela que é, em verdade, a porta de nossas esperanças, a Mãe Sublime de todas as mães, a advogada...

Louvado seja  Maria  Santíssima

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