"Gastrosquise", uma malformação congênita em que a criança nasce com parte do intestino "para fora"
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Filha do surfista com Cintia Dicker precisou passar por cirurgia logo após o nascimento. Especialista explica o que é a gastrosquise
Por: Redação
24 jan
2023
A modelo Cintia Dicker, companheira do surfista Pedro Scooby, revelou o motivo por trás da cirurgia que a filha do casal precisou passar logo após o nascimento.
De acordo com ela, a bebê, que se chama Aurora, recebeu o diagnóstico de gastrosquise, uma malformação gastrointestinal congênita.
Cintia contou em entrevista para a Revista Vogue que descobriu a gestação logo no início.
Ao fazer o exame morfológico, ela e Scooby receberam a notícia de que a filha tinha gastrosquise.
Então, a mãe e a bebê precisaram passar por vários outros exames.
O Dr. Gustavo Patury, cirurgião do aparelho digestivo no Hospital São Luiz e Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva, explica que a gastrosquise é um defeito congênito da parede abdominal do bebê, que não se fecha por completo.
A abertura causa a saída de parte do intestino e outras vísceras pelo orifício, que fica exposto ao líquido amniótico durante a gestação.
Quando expostas, essas vísceras têm maior risco de inflamação e infecção.
O que causa a gastrosquise?
A causa do diagnóstico de Aurora não foi esclarecida, mas alguns fatores estão associados ao surgimento da gastrosquise, como o tabagismo e alcoolismo durante a gestação, além da ocorrência frequente de infecções urinárias.
A doença também é mais comum em filhos de mães jovens (abaixo dos 20 anos) e costuma estar associada à prematuridade, esclarece o cirurgião.
"As principais complicações da gastrosquise são o não desenvolvimento de parte do intestino ou ruptura do intestino, assim como perda de líquidos e nutrientes do bebê, fazendo com que tenha baixo peso", alerta o especialista.
Como descobrir essa e outras doenças congênitas?
O exame de ultrassonografia durante a realização do pré-natal mostra as vísceras expostas ao líquido da bolsa amniótica, por isso é capaz de identificar um quadro de gastrosquise, aponta o Dr. Gustavo.
O médico destaca que as mulheres cujos filhos que tiveram o diagnóstico de gastrosquise devem ter acompanhamento durante a gravidez, o que inclui preparação em relação à condição do bebê, tratamento após o nascimento e no caso de possíveis complicações.
De acordo com o especialista, é possível identificar outros problemas congênitos no ultrassom morfológico, geralmente com 12 a 13 semanas de gestação.
Tratamento
Aurora precisou passar por uma cirurgia logo após que nasceu.
O médico do Hospital São Luiz afirma que é assim que deve ser feito, já que não há outra opção de tratamento.
Além disso, é indicado que o parto de um bebê com gastrosquise seja cesárea.
Terra.com.br
Gastrosquise: o que é, tratamento e diferença da onfalocele
A doença pode ser diagnosticada pelo ultrassom ou após o nascimento do bebê
Escrito por Raisa Cavalcante
Analista Editorial
Redatora especializada na produção de conteúdo para família, beleza e alimentação.
O que é gastrosquise?
A gastrosquise é um defeito da parede abdominal do feto, cuja parte do intestino fica "para fora", por um orifício ao lado do cordão umbilical.
Foto: X.Compagnion/ Wikimedia CommonsCausas
Não se conhecem as causas da gastrosquise, apenas teorias que apontam o surgimento da doença. Os especialistas acreditam que existe uma relação mínima com algumas doenças genéticas, mas na maioria das vezes é isolada.
Dessa forma, para o médico Pedro Muñoz Fernandez, cirurgião neonatal do Hospital e Maternidade Santa Joana, a teoria mais aceita para que a gastrosquise ocorra é uma obstrução de um vaso que nutre a parede abdominal, mais comum à direita do cordão umbilical.
Diagnóstico
O diagnóstico durante a gravidez é feito pelo ultrassom morfologico, que consegue identificar a saída do intestino pela cavidade abdominal do feto.
Outra forma de diagnosticar é após o nascimento, quando o médico consegue identificar a gastrosquise, pois está visível.
De acordo com o cirurgião neonatal, Pedro Muñoz, a mãe que tem um bebê com diagnóstico de gastrosquise precisa ser encaminhada a um hospital com estrutura de UTI neonatal que irá monitorar a assistência ao recém-nascido. Esse bebê não pode nascer em um hospital sem essa estrutura, pois o transporte pode representar levar a um agravamento da doença.
"É importante lembrar que a gastrosquise leva a mortalidade de 30% a 40%. Além disso, no Hospital e Maternidade Santa Joana, por exemplo, em partos com o bebê diagnosticado com gastrosquise, o cirurgião pediátrico já acompanha o parto no Centro Obstétrico, para que, logo após o nascimento, o bebê já seja encaminhado ao Centro Cirúrgico e seja iniciada a intervenção cirúrgica", ressalta.
Sintomas
Diversas pessoas acreditam que essa doença pode causar dor à gestante e ao feto ou recém-nascido, mas isso não é verdade.
Na maioria das vezes a doença não apresenta sintomas, mas, em alguns casos, com a evolução da gestação, pode haver um aumento do líquido amniótico, sendo considerado assim um sintoma que está associado à gastrosquise.
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Fatores de risco
Não há fatores de risco comprovados cientificamente. No entanto, alguns estudos mostram que a gastrosquise pode estar associada com comportamentos e características da mãe, como:
Alcoolismo
Uso de drogas ilícitas
Tabagismo
Mães jovens abaixo dos 20 anos de idade.
Complicações
De acordo com o Renato Sá, coordenador de assistência obstétrica da Perinatal, a principal complicação da gastrosquise é a necrose do intestino, que pode levar a necessidade de retirar parte do intestino necrosado.
Tratamentos
De acordo com os especialistas, o tratamento é pós-natal, ou seja, após o nascimento do bebê. A cirurgia geralmente consiste em recolocar as alças intestinais para dentro da cavidade abdominal do recém-nascido e fechar o orifício.
Em alguns casos é necessário cobrir o intestino exteriorizado com uma prótese protetora, também conhecida como silo, que nada mais é do que uma "bolsa de plástico", para que aos poucos o intestino seja colocado para dentro do abdômen. Assim, esse processo pode demorar dias ou até mesmo semanas e posteriormente a abertura é fechada com cirurgia.
O tempo de recuperação do recém-nascido depende de alguns fatores como prematuridade e funcionamento do intestino, e a melhoria pode ser notada em alguns meses após a cirurgia.
Prevenção
Como citado anteriormente no tópico "Fatores de Risco", existem alguns pontos importantes que devem ser levados em consideração durante o período da gestação, para não prejudicar o feto.
Além disso, é de extrema importância que a mãe faça acompanhamento médico pré-natal para que a gastrosquise seja diagnosticada ainda no período da gravidez.
É importante ressaltar que mulheres com ocorrência familiar ou histórico de gastrosquise em outra gravidez precisam ser observadas com mais frequência para o diagnóstico precoce.
Diferença entre gastrosquise e onfalocele
É comum que muitas pessoas relacionem a gastrosquise com a onfalocele. Afinal, as duas são malformações congênitas de parede abdominal, mas uma não tem nada a ver com a outra.
"A onfalocele é a herniação do intestino pelo orifício do umbigo.
É visto pelo ultrassom como um defeito abaixo do cordão umbilical (e não ao lado como na gastrosquise).
Outra diferença é que o intestino na onfalocele é recoberto por membrana, diferente da gastrosquise que não tem membrana recobrindo.
A onfalocele tem forte associação com doença genética (outra diferença da gastrosquise, já que neste caso a associação é baixa)", explica o médico Renato Sá.
Referências
Renato Sá, ginecologista e obstetra, coordenador de assistência obstétrica da Perinatal
Pedro Muñoz Fernandez, médico cirurgião neonatal do Hospital e Maternidade Santa Joana.

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