Isabel CortezProsa e Poesias em Língua Portuguesa
"Bati no portão do tempo perdido, ninguém atendeu.
Bati segunda vez e mais outra e mais outra. Resposta nenhuma.
A casa do tempo perdido está coberta de hera pela metade; a outra metade são cinzas.
Casa onde não mora ninguém, e eu batendo e chamando pela dor de chamar e não ser escutado.
Simplesmente bater.
O eco devolve minha ânsia de entreabrir esses passos gelados.
A noite e o dia se confundem no esperar, no bater e bater.
O tempo perdido certamente não existe.
É o casarão vazio e condenado."
Carlos Drummond de Andrade

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