Já fui menina.
Já andei na chuva.
Pisei em poças de água, como quem salta sobre um riacho.
Subi nas árvores. Andei descalça sobre a relva.
Senti o cheiro da terra molhada, depois da primeira chuvada.
Deliciei-me com o perfume das flores, numa manhã de Primavera.
E foram todos esses pequenos momentos mágicos que deram cor aos meus primeiros anos de vida e aos meus sonhos.
Tão feliz que eu era.
Não percebia a importância das horas.
Não precisava de relógios.
O tempo era o que o meu coração queria.
Um abraço poderia demorar uma hora e um beijo uma eternidade.
O dinheiro era fantasia para adultos.
Eu comprava tudo o que a vida podia ter apenas com os meus sonhos.
A única moeda de troca que conhecia eram os sorrisos de quem me dava felicidade, a qualquer hora do dia.
Emprestava ilusões e cobrava carinho.
Era feliz apenas com um vestido de folhos.
Gostava de me fantasiar com o casaco da minha mãe, que me chegava aos pés.
O mundo dos adultos era mesmo só uma fantasia que eu gostava de usar.
Era feliz, sem saber o que era a felicidade.
O guarda-chuva era um brinquedo.
A chuva, uma diversão.
A vida emprestava sorrisos nesse tempo.
@ angela caboz

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