Raquel Ferreira
Numa floresta onde tudo era ligeiro e barulhento, vivia uma formiga — mas não uma formiguinha qualquer. Essa tinha mais teimosia que cachorro atrás do próprio rabo. Todo dia, ela carregava uma folhinha enorme, tão grande que dava até pra fazer sombra pra ela mesma.
O vento, um tremendo folgado, gostava de zoar todo mundo. Ele soprava forte, derrubava galho, bagunçava a vida e ria alto da formiga, que insistia em carregar sua folha gigante.
“Ah, formiguinha, por que carrega esse peso ridículo? Anda, larga essa folha e vive de boa, né?” — debochava o vento, sacudindo as árvores.
Mas a formiga, com olhar firme e passo lento, respondia:
“Não largo, porque cada folha que eu levo é um passo pro meu inverno sem fome.”
O vento, impaciente, aumentou a força, jogou a folha longe, fez tempestade — queria acabar com a vontade da formiga. Mas sabe o que rolou? A formiga levantou, juntou a folha rasgada, ajeitou, e continuou o caminho.
Dia após dia, ela fez isso — levava, perdia, levantava, insistia.
No fim das contas, quando o inverno chegou, enquanto a floresta estava vazia e silenciosa, a formiga estava segura, confortável, porque cada folha, cada passo, tinha sido uma batalha vencida.
E o vento? Ah, o vento ficou só no lamento, sabendo que não adianta soprar se quem tem vontade não desiste.
Moral da história?
Persistência não é força bruta, é uma dança constante com a dificuldade — e quem não desiste, não perde.
Se joga na vida igual essa formiga, porque desistir é coisa que só vento gosta de ver.
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