
A gente sente falta das conversas de família, da roda de irmãos contando histórias que só os irmãos conhecem, relembrando aquele detalhe já apagado em nossa memória pelo tempo, e que os irmãos trazem de volta e a mãe concorda num gesto, numa gargalhada sem fim.
A gente sente falta de quem nos conhece profundamente, fala pelo olhar, conhece nossa história, nossos medos, defeitos e incertezas, mas que está lá, pra quando a gente quiser voltar.
A gente sente falta da casa que nos viu crescer, e tropeçar, e se levantar, e seguir, e girar o mundo, e levar no coração o "lá em casa", a casa onde a gente não mora mais, mas continua sendo nossa.
É "lá em casa" que a gente é a gente de verdade.
A gente gira o mundo, mas é "lá em casa" que a gente se encontra.


-Eunice Ramos
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