Raquel Ferreira
Na floresta do Poente, um lobo de pelos prateados salvou um esquilo que estava preso numa armadilha de caçador.
O esquilo, tremendo, prometeu:
— Um dia, vou te retribuir.
O lobo riu.
— Um fiapo de vida como você? Eu não preciso de nada.
Mas libertou o bichinho mesmo assim, e partiu.
Meses se passaram.
O inverno chegou cruel.
O lobo, ferido após enfrentar um urso por comida, caiu à beira de um rio congelado.
Sangrava. Os olhos, antes tão ferozes, agora apagavam como brasa na chuva.
Sozinho. Esquecido.
Foi então que ouviu passos miúdos.
Era o esquilo.
E com ele, vieram coelhos, lontras, raposas, até um veado, cada um trazendo musgo, raízes, folhas e mel. Fizeram curativo, aqueceram o lobo, alimentaram-no.
O lobo, com os olhos marejados, murmurou:
— Por quê? Eu sou só um velho lobo...
O esquilo subiu no seu peito e disse:
— Porque um gesto de bondade acende cem corações. E o seu acendeu o meu.
O lobo chorou.
Pela primeira vez, não de dor, mas de algo novo: pertencimento.
Quando a primavera chegou, o lobo já andava firme. Liderava não com garras, mas com gratidão.
Não era mais temido — era respeitado.
E o caçador? Voltou, sim. Mas dessa vez, não viu um lobo solitário. Viu uma aliança selvagem de amor e retribuição.
E fugiu.
Moral da história:
Quem planta bondade colhe gratidão.
E quem é lembrado com amor... nunca está só.
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