terça-feira, 19 de agosto de 2025

Há um medo que poucos se atrevem a falar


Selma de Oliveira 
Amadurecer entre amigos

.Há um medo que poucos se atrevem a falar, mas que todos nós carregamos dentro de nós. 

Não tem nada a ver com rugas, bengala ou solidão. 

É esse outro medo: o de envelhecer em um corpo que já não responde como antes.

Tememos não conseguir levantar-nos sem ajuda, ir à casa de banho sozinhas, depender de outros. 

Às vezes, em silêncio, reflito sobre o que acontecerá se um dia eu não conseguir sozinha. 

Se a minha mão treme, os pincéis escapam, a memória prega-me más passadas e esqueço-me do café fervendo, dos nomes ou até mesmo quem sou. 

Não desejo que me olhem com pena, mas sim com respeito. 

Mesmo que o corpo se apague lentamente, a alma permanece viva e clara. 

Ser mulher, corajosa e digna não desaparece só porque o corpo deixa de obedecer. 

No entanto, dói ver os idosos serem tratados como atrapalhados ou como crianças desajeitadas. 

Isso também é um medo: não só depender, mas ser visto como um fardo. 

or isso, enquanto eu posso, eu me levanto, preparo meu café, seco minhas lágrimas, dou um abraço e repito a mim mesma que ainda sou valiosa. 

Se um dia eu não conseguir fazer sozinha, quero que quem cuida de mim saiba. 

Não procuro compaixão, mas amor sem dor, com respeito. 

E se chegar a hora de depender de alguém, que segure minha mão sem me fazer sentir que valho menos.

Porque velha sim, mas vazia ou incapaz, nunca.
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DA
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Foto da Web


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