Sérgio Cardoso
Memorial da Televisão Brasileira - Página
adicionou uma nova foto ao álbum "In Memoriam".
No dia 18 de agosto de 1972 o Brasil parou, emocionado com a morte súbita do ator Sérgio Cardoso. O país perdia um dos maiores atores do teatro e da televisão do século XX.
Sérgio Cardoso era, ao lado de Tarcísio Meira e Francisco Cuoco, o maior galã da TV Globo do início dos anos setenta. Aos 47 anos de idade, uma parada cardíaca tirou-o definitivamente de cena, quando protagonizava a novela O Primeiro Amor, de Walter Negrão. Sua presença no teatro confunde-se com a história deste em várias décadas do século passado.
Porte de galã, talento de gigante, dono de uma imensa popularidade no teatro, era enérgico na interpretação dos seus personagens. Sérgio Cardoso soube direcionar esta popularidade diante das câmaras da televisão, sendo aplaudido como um dos maiores ídolos das telenovelas.
Sérgio da Fonseca Mattos Cardoso, nasceu em 23 de março de 1925, em Belém do Pará. Deixou Belém ainda criança, vindo para o sudeste. Tinha planos de ser diplomata, frequentando o curso de Direito da PUC do Rio de Janeiro. Em 1945, participa da montagem de Romeu e Julieta, do Teatro Universitário (TU), no papel de Teobaldo. Quando concluía o curso, em 1948, inscreveu-se para uma seleção de candidatos ao papel de Hamlet e, entre muitos candidatos, foi escolhido para o papel. No dia 6 de janeiro de 1948, aos 22 anos, estreava nos palcos, iniciando uma das maiores carreiras do teatro. Recém formado em Direito, Sérgio Cardoso optou pelo teatro, deixando na estrada às três semanas que trabalhou como advogado.
Em 1950 Sérgio Cardoso casou-se com a atriz Nydia Lícia, com quem teria uma filha, Silvia. Mais tarde, ao lado da mulher, deixaria a companhia paulista do TBC, ambos encabeçando o elenco carioca da recém-criada Companhia Dramática Nacional (CDN). Com Nydia Lícia, em 1954, criou a Companhia Nydia Licia-Sérgio Cardoso.
Sérgio Cardoso e Nydia Lícia compram o antigo Cinema Espéria, em São Paulo, que seria a sede da companhia. Para reformá-lo, Sérgio Cardoso aceitou fazer a incipiente televisão, participando também, de montagens avulsas, como “A Ceia dos Cardeais”, de Júlio Dantas, sob o comando de Bibi Ferreira, em 1955. Reformado o Espéria, em 1956, é inaugurado como Teatro Bela Vista, atual Teatro Sérgio Cardoso.
Sérgio Cardoso costumava dizer que aceitou fazer telenovelas “a título de experiência”, estreando-se como galã do gênero em 1964, na novela “O Sorriso de Helena”, de Walter George Durst, na extinta TV Tupi de São Paulo. A novela foi um grande sucesso, a televisão brasileira gerava um dos mais bem-sucedidos de seus galãs.
Após o sucesso da estreia, Geraldo Vietri dirigiria outra telenovela, “O Cara Suja”.
Logo a seguir, Sérgio Cardoso interpretou uma versão de “O Médico e Monstro”, na novela “O Preço de Uma Vida” (1965), adaptação do texto do cubano Félix Caignet, por Talma de Oliveira e Teixeira Filho. Na novela o ator fazia dois papéis, o Dr Valcourt, um médico totalmente deformado, apaixonado pela paciente Tula (Nívea Maria), e o seu sobrinho Sérgio, belo homem, que surgiu na trama para casar com a heroína da história, com a aprovação do tio.
Em 1966, ele faria, ao lado de Fernanda Montenegro, “Calúnia”, de Talma de Oliveira. Foi ainda naquele ano, que o ator viveria o judeu Samuel Levy, da novela “Somos Todos Irmãos” de Benedito Ruy Barbosa.
O casal protagonista vivido por Sérgio Cardoso e Rosamaria Murtinho teve uma grande aceitação de público, transformando a novela em sucesso de público. Samuel Levy exigiu que o ator usasse umas lentes de contato azul. Foi considerado por Sérgio Cardoso, o seu melhor personagem em uma telenovela. No final de 1966, a Tupi tentaria repetir o sucesso de “Somos Todos Irmãos”, reuniria Sergio Cardoso e Rosamaria Murtinho outra vez, em outra novela de Benedito Ruy Barbosa: “O Anjo e o Vagabundo”, telenovela que emocionou o público da época.
Em 1968, a TV Globo convidou Sérgio Cardoso para protagonista de uma das suas novelas: “O Santo Mestiço”, de Glória Magadan.
A emissora trouxe Rosamaria Murtinho para contracenar com o ator. Sérgio Cardoso vivia dois irmãos, um padre e um revolucionário, que eram inimigos mortais.
Sérgio Cardoso retornaria à Tupi, para viver um personagem ícone da teledramaturgia: o português da novela “Antônio Maria”, de Geraldo Vietri e Walter Negrão.
Em 1969, Sérgio Cardoso voltaria à Globo, de onde não mais sairia até a sua morte.

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