Amor Incondicional
“.. — mas que ainda vivem dentro da gente — o tempo tinha outro ritmo.
O relógio não mandava tanto, e a vida cabia inteira nas calçadas,
nas ruas de terra,
no riso solto que ecoava até a noite cair.
Não existia pressa.
A infância era feita de pés descalços,
de bola rolando no meio da rua,
de esconde-esconde que só acabava quando as mães chamavam do portão.
Era um mundo em que a amizade nascia na simples troca de um pique,
de uma pedrada virando bolinha de gude,
de uma bicicleta compartilhada.
Antes da internet, a gente se conectava de outro jeito.
A rede era de vozes chamando de longe,
de olhares cúmplices,
de histórias inventadas na calçada iluminada pelo poste.
O “mundo virtual” era a imaginação fértil,
onde uma caixa virava nave espacial,
e uma rua escura, floresta encantada.
Era outra criação,
uma infância sem tanto brilho de telas, mas cheia de brilhos no olhar.
Um tempo em que cair e ralar o joelho fazia parte da aventura,
e cada cicatriz guardava uma memória viva.
Hoje, lembramos com saudade porque sabemos:
não era apenas infância.
Era um jeito de viver simples, intenso, verdadeiro.
Era vida em estado bruto, sem filtro, sem distrações artificiais.
E talvez seja por isso que, no fundo, aquele tempo ainda mora dentro de nós
— como um abrigo que o coração nunca esquece..”


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