quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Naqueles dias que parecem tão distantes


Amor Incondicional

“.. — mas que ainda vivem dentro da gente — o tempo tinha outro ritmo. 

O relógio não mandava tanto, e a vida cabia inteira nas calçadas, 

nas ruas de terra, 

no riso solto que ecoava até a noite cair.

Não existia pressa. 

A infância era feita de pés descalços, 

de bola rolando no meio da rua, 

de esconde-esconde que só acabava quando as mães chamavam do portão. 

Era um mundo em que a amizade nascia na simples troca de um pique,

de uma pedrada virando bolinha de gude, 

de uma bicicleta compartilhada.

Antes da internet, a gente se conectava de outro jeito. 

A rede era de vozes chamando de longe, 

de olhares cúmplices, 

de histórias inventadas na calçada iluminada pelo poste.

O “mundo virtual” era a imaginação fértil, 

onde uma caixa virava nave espacial, 

e uma rua escura, floresta encantada.

Era outra criação, 

uma infância sem tanto brilho de telas, mas cheia de brilhos no olhar. 

Um tempo em que cair e ralar o joelho fazia parte da aventura, 

e cada cicatriz guardava uma memória viva.

Hoje, lembramos com saudade porque sabemos: 

não era apenas infância. 

Era um jeito de viver simples, intenso, verdadeiro. 

Era vida em estado bruto, sem filtro, sem distrações artificiais. 

E talvez seja por isso que, no fundo, aquele tempo ainda mora dentro de nós

— como um abrigo que o coração nunca esquece..”


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