quinta-feira, 11 de setembro de 2025

O meu nome é Eleonora


Minha vida com animais


"O meu nome é Eleonora. Tenho 77 anos e sim — vivo sozinha. Muitos, ao ouvirem isto, enchem-se de pena, como se a solidão fosse uma punição. Mas deixem-me revelar um segredo: estar sozinha não significa não ser amada, nem significa ser infeliz.

Todas as manhãs acordo com o canto dos pássaros à janela da cozinha. Faço uma chávena de café — apenas para mim — e sento-me à mesa, enquanto a luz do sol inunda o espaço. Algumas vezes folheio álbuns antigos e sorrio para os rostos dos meus filhos e netos. Outras vezes, fecho os olhos e escuto — o silêncio, o ritmo da minha respiração, a vida que ainda pulsa à minha volta.

Em jovem, pensei que a alegria só se encontrava nos grandes momentos: casamentos, festas, reuniões de família. Mas os anos ensinaram-me uma verdade mais suave — a felicidade esconde-se frequentemente nas pequenas coisas. No sabor de uma sopa quente numa noite fria. No aceno de um vizinho do outro lado da rua. No riso das crianças a regressar da escola.

As pessoas perguntam: «Não se sente sozinha?»

Claro que às vezes sim. Mas lembro-me: solidão é focar no que falta. Gratidão é focar no que está. E eu tenho tanto.

Sou grata pelas minhas memórias, pela força que ainda habita no meu corpo, pela bondade de estranhos que me seguram a porta, pelas chamadas que, mesmo menos frequentes, continuam a chegar.

Por isso não — não estou sozinha. Estou completa. A minha casa pode ser silenciosa, mas o meu coração é ruidoso de gratidão.

E se pudesse dizer apenas uma coisa ao mundo, seria esta: não temam a solidão. Aprendam a estar convosco próprios. Aprendam a reparar nos pequenos presentes que a vida vos dá todos os dias. 

A felicidade não é algo que os outros oferecem — é uma semente que se cultiva dentro de nós. "

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