Proseando com a Aninha
O menino olhava para o avô com a curiosidade doce de quem enxerga o mundo pela primeira vez.
— Vovô… quando eu crescer, também vou perder o cabelo?
Vou ganhar essas manchinhas nas mãos, como um bolo com pedacinhos de chocolate?
E meus cabelos… vão parecer nuvens ou algodão-doce?
O avô sorriu com paciência.
— Acho que sim, meu neto.
O pequeno abriu um sorriso largo.
— Então eu vou ficar bonito, não é?
— Você acha que eu sou bonito? — perguntou o avô, com a voz baixa e terna.
— Lógico que sim, vovô! Você é a pessoa mais legal do mundo!
E assim ficavam, mergulhados em conversas sem pressa.
Não eram lições, não eram sermões.
Eram diálogos de alma: perguntas inocentes e respostas carregadas de magia.
O olhar do menino enchia o avô de ternura e orgulho, como se cada instante fosse um presente.
— Vovô… posso fazer mais uma pergunta?
— Claro, meu querido.
— Se eu pedir para o Papai do Céu… Ele me empresta você por mais um pouquinho?
O velho homem sorriu, com lágrimas escondidas nos olhos.
— Pode deixar, eu mesmo vou falar com Ele.
E ficou.
Mais um pouquinho emprestado.

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