sexta-feira, 6 de março de 2026

Um conto: O Burro Amigo



Graciosas Páginas 

Há muito tempo atrás, numa pequena aldeia, vivia um burr

Desde jovem que serviu fielmente o seu mestre, um agricultor chamado Marco. 

O jumento era forte, resiliente, carregava sacos pesados todos os dias, lavrava a terra, carregava as colheitas. 

E quando o dia estava a terminar, o seu mestre estava a dar-lhe palmadinhas nas costas e a dizer calorosamente:

— Você é o melhor, meu amigo. Sem você, seria difícil.

O burro não entendeu as palavras, mas sentiu a bondade na voz do seu dono, e o seu coração se enchia de alegria.

Os anos passaram.

O burro começou a envelhecer. 

As pernas dele já não estavam tão fortes, as costas estavam doendo, mas ele continuou a trabalhar. 

Não reclamou, não parou, porque acreditava que era necessário.

Mas um dia ele tropeçou e não aguentou os sacos de farinha. 

— Tá ficando velho, meu amigo.

E alguns meses depois, o agricultor trouxe uma jovem mula para o estábulo. Forte, energética, cheia de vigor. Agora era ela carregando sacos pesados e lavrando o campo.

O burro já não recebia palmadinhas nas costas, já não ouvia palavras bondosas. Ninguém reparava mais.

Ele muitas vezes ficava à margem e não lhe traziam comida todos os dias - afinal, ele era um inútil, porque desperdiçar comida para alguém que não faz nada.

O burro ficou no canto do quintal, observando silenciosamente o seu dono que acariciava orgulhosamente a jovem mula.

- Está tudo acabado... Já não sou útil para nada, — pensava com tristeza.

O inverno chegou rigoroso. Uma noite, uma tempestade violenta eclodiu. O vento uivou, a neve caiu, e lá fora havia um ruído alarmante.

Marco correu para o quintal e viu que a jovem mula tinha desaparecido - assustou-se e fugiu.

Mas com uma nevasca semelhante, sem ajuda, ela não teria conseguido chegar à cidade para obter suprimentos.

O agricultor desesperado olhou em volta e viu o velho burro no canto. Ele estava lá silenciosamente, apesar do frio, apesar da neve, simplesmente olhando para a porta, como se já soubesse o que Marco ia dizer.

O agricultor aproximou-se e timidamente acariciou as suas costas.

— Você sabe o caminho... Você sempre soube para onde ir...

O burro levantou lentamente a cabeça. Sem ressentimento nos olhos. Só lealdade.

Moveu-se lentamente, mas com determinação, avançando com ritmo seguro, evitando buracos, conhecendo todos os caminhos.

Ele já não era mais jovem, o seu corpo estava cansado, mas o seu coração lembrou - não podia falhar.

Quando eles voltaram para a aldeia com os suprimentos, Marco percebeu o quão errado estava. 

Ele olhou para o seu velho amigo e percebeu que a força não está apenas nas pernas poderosas e nas costas jovens. Força é lealdade.

Desde então, o burro não carregava mais sacos pesados. Mas todos os invernos ele conduzia a carroça, liderando o caminho.

Marco não esqueceu mais. Ora, foi ele que lhe trazia comida e sussurrava docemente:

— Perdoe-me, Velho Amigo... Eu fui um tolo, mas você sempre foi leal.

E o burro simplesmente fechou os olhos e mastigou o feno com gratidão. Agora ele sabia - que era necessário.

Moral:

Quando alguém envelhece, muitas vezes é esquecido

Mas lealdade, dedicação e um bom coração - não são coisas que desvanecem com a idade. 

E, às vezes, aqueles que são considerados inúteis, acabam por ser os mais valiosos.

Autor desconhecido

Fonte: Web (Contos de fadas

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