quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Às vezes, tratas alguém tão bem que essa pessoa

O sentido da palavra Carlos Cabrita




Às vezes, tratas alguém tão bem que essa pessoa acaba por achar que o teu cuidado é uma coisa natural, que a tua presença é garantida, que o teu coração estará sempre ali, à espera.

Não percebe o valor das vezes em que ficaste quando teria sido mais fácil partir. Dos silêncios que engoliste para não ferir. Das mãos que estendeste mesmo quando eram as tuas que precisavam de amparo. Do amor que deste sem fazer contas ao que recebias em troca.
Há pessoas que só reconhecem a luz depois de a casa ficar escura.
E um dia, quando deixares de insistir, de procurar, de estar sempre disponível, talvez essa pessoa finalmente compreenda que aquilo que recebia de ti não era pouco, nem comum, nem obrigação.
Era amor. Era cuidado. Era uma forma rara de estar na vida de alguém.
E talvez seja nessa ausência que ela perceba tudo aquilo que a tua presença dizia sem palavras.
Mas, nessa altura, alguma coisa em ti também terá mudado.
Terás aprendido que amar não é permanecer onde o teu amor se torna invisível. Que cuidar não significa esqueceres-te de ti. E que não precisas de deixar de ser bom só porque alguém não soube reconhecer a tua bondade.
Continua a ter esse coração bonito. Apenas aprende a não o deixar em qualquer lugar.
Porque há uma diferença imensa entre quem gosta de receber aquilo que tu dás e quem sabe reconhecer aquilo que tu és.
E tu mereces alguém que não precise de te perder para descobrir o privilégio de te ter.
Carlos Cabrita_escritor

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