quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Yitta Halberstam E Judith Leventhal - A maçã Assada

Contando histórias


Max saiu da cidade de Nova York e viajou horas a fio debaixo de chuva em direção a Filadélfia. Por volta da meia-noite, Max sentiu fome e parou numa lanchonete de beira de estrada.

Sentou-se junto ao balcão, ao lado de um senhor idoso, de ombros caídos e roupas esfarrapadas. Comoveu-se com a presença da criatura, que dava a impressão de já ter passado por poucas e boas na vida.

- O tempo está horrível, não é mesmo? - disse Max, tentando puxar conversa.

A resposta foi um resmungo entre dentes. O velho parecia desanimado demais para travar um diálogo. Max terminou a refeição e, pouco antes de sair, virou para a garçonete e perguntou quanto custava uma maçã assada.

- Dois e cinquenta - respondeu ela.

- Pronto - disse Max, entregando-lhe três notas de um dólar.
- Isso deve cobrir o preço da maçã e a sua gorjeta. - Em seguida, apontou para o velho: - Por favor, dê a maçã àquele senhor e diga que é cortesia da casa.

- Claro, pode deixar - disse a garçonete, sorrindo, enquanto Max saía da lanchonete.

Enquanto viajava, Max pensou no gesto que acabara de fazer.

- Por que uma maçã assada? - perguntava-se ele. - Por que não lhe lhe paguei uma xícara de café? - Max refletiu sobre essa iniciativa aparentemente ilógica até chegar a uma conclusão: uma xícara de café de um desconhecido para outro pode ser um gesto amável, mas é usual e por isso esquecido rapidamente. Enquanto que uma maçã assada talvez conseguisse sacudir o velho, tirando-o da sua apatia, mesmo que só por um instante, e talvez até mesmo permitindo que ele se animasse. Max ficou satisfeito com seu gesto à medida que seguia pela estrada longa e estreita.

A noite se prolongava. A interminável linha branca passou a ser um desafio, enquanto Max lutava para permanecer alerta e acordado. Seu corpo não aguentava mais e, apesar de todos os esforços, o sono procurava dominá-lo. De repente, um caminhão enorme atingiu a lateral do seu carro, empurrando-o para fora da estrada. O carro derrapou e foi parar numa vala. De início, Max ficou em estado de choque. Dentro de poucos instantes, perdia a consciência.

No escuro da noite, com a chuva caindo forte, os carros simplesmente passavam velozes. Ninguém parecia perceber o acidente à beira da estrada. Afinal, depois de algum tempo, um rapaz que vinha dirigindo percebeu o carro de Max. Ele parou e se encaminhou para o veículo acidentado. Como morava ali por perto, resolveu levar Max, ainda inconsciente, para sua própria casa. Lá ele daria um telefonema pedindo ajuda.

Pouco depois de chegar à casa do desconhecido, Max recuperou a consciência. Abriu os olhos e deu com um rosto estranho.

- Meu Deus - disse o desconhecido. - Você e seu carro sofreram uma queda e tanto! Foi uma dificuldade tirá-lo do local do acidente para trazê-lo aqui para casa, mas vou lhe dizer uma coisa, amigo, lá você estava bem perto da morte! Agora, procure sentar-se para comer uma coisa que minha mulher fez para você.

Max olhou para o que puseram à sua frente. No meio de um prato de vidro estava uma maçã recém-assada.

" Estar atento para os outros, fazer um gesto de amizade, confortar quem está sofrendo são atos generosos. Deus está presente em tudo o que é bom. Quando se faz o bem, Deus está presente. E, quando Deus está presente, ocorrem milagres."

Publicada no livro Pequenos Milagres
Coincidências extraordinárias do dia-a-dia.
Yitta Halberstam e Judith Leventha
Página 49, 50 e 51.

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