segunda-feira, 18 de abril de 2011

Luiz Augusto Crispim - A Dama da Tarde - O Pastor Dos Crepúsculos - Introdução

Não são apenas os finais de tarde que fascinam como sortilégio Luiz Augusto Crispim. O início das manhãs também seduz o cronista com a mesma atração de fetiche. Basta ver a frequência com que essas quadras do tempo inspiram os achados poéticos da sua prosa insinuante.

Aparentemente, a memória afetiva de Crispim elege o entardecer como fonte predileta de inspiração. Poemas de Pecados da Tarde (1983) sinalizam essa pista falsa aos que depois identificariam no amanhecer outra marcante distinção na busca das lembranças do autor, a exemplo do que se observa na seleção de textos a seguir:

Tanto quanto os últimos lanpejos do Sanhauá, os primeiros raios do Cabo Branco motivam o cronista a rememorar seus passos de caminhante da saudade, retirando da calçadinha de Tambaú o mesmo espírito de evocação que extrai dos telhados do Varadouro.

Pastor das tardes e das manhãs. Crispim só fica devendo aos que admiram a sua elegância estilística alguma incursão pelos domínios da noite. Dá para imaginar o que das sombras emergiria em relatos com a mesma luminosidade das confissões nascidas sob o signo ao qual dedica o apuro da sua linguagem requintada.

Enquanto pecados e damas da noite não povoam as recordações do cronista, desfrutemos o universo mágico dessas matinas e vésperas com que ele celebra sutilezas do nascer e do pôr-do-sol.

Martinho Moreira Franco
Jornalista e publicitário

A Dama da Tarde
Escritor Luiz Augusto Crispim.
Página 13.

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