terça-feira, 31 de maio de 2011

Carlos Romero - Viva Os Congestionamentos!


um conto - uma crônica
A vida está um corre-corre dos diabos. Tornou-se até chique a pessoa apressada. Apressada e estressada. Afinal, não há tempo a perder. Ligue a TV e veja com que pressa são anunciados os produtos. Parece até que o mundo vai se acabar, amanhã. Nem se acaba o mundo, nem se acaba você, leitor.Tanta pressa e haja congestionamentos nas avenidas e estradas. O homem que está na direção do carro solta palavrões e mais palavrões ao invés de colocar no som uma partíta de Bach, ou senão refletir um pouco sobre a vida e sobre a morte. Ah, o sinal vermelho quando acende no momento em que a pessoa está bem vexada...Ora, ora, se o sinal está vermelho está para você, está verde para o seu próximo.Não sejamos egoístas. E fica aqui uma sugestão: leve sempre um livrinho com você, para ler, justamente quando o semáforo estiver fechado. Música, leitura e, como já disse, reflexão.

Voltando à televisão, que pressa nas imagens. E quanta mentira para cima do telespectador.Os preços são anunciados assim: se o produto vale 200 reais, colocam 199. Isto é fazer do telespectador de besta. E é besta quem vai na conversa da TV. Eu não posso imaginar um homem sério assistindo à televisão . Se a invenção é maravilhosa, sua aplicação está sendo um desastre, com honrosas exceções. Mas voltando ao tema, a verdade é que as pessoas parecem movidas a motor. Ninguém tem tempo para ninguém. Até quando se está com o celular pregado no ouvido, só se ouve gritos ao invés de conversas. Ainda ontem, na Livraria Saraiva, só se ouviam pessoas gritando nos celulares. Logo num espaço que se exige silêncio. Até mesmo a música que a gente ouvia na livraria era de baixo nível. Nada de música erudita. Viva a Sanfônica, e abaixo a Sinfônica!

Mas, pensando bem, a pessoa escolhe os programas de TV que quiser. Para isso há o controle remoto.

Dizia o apóstolo Paulo: "examinai tudo e escolhei o que for bom".

Tanta pressa dos homens e o sol, silenciosamente, iluminando tudo devagar e sempre. As árvores botando seus frutos, na estação certa, o oxigênio entrando nas nossas narinas devagar, e o processo digestivo se fazendo silencioso e calmamente. O apressado ou é doente, ou é desorganizado.

Mas, o engraçado é que o apressado não se lembra que, quando ele sair deste mundo, o carro funerário que transportará o seu corpo para ser plantado no cemitério, não terá a menor pressa...

Nada, pois, de muita pressa com o pote... Pressa, stress, tudo é questão de disciplina. Quem é disciplinado, não tem pressa. Jamais dirá: "não tenho tempo para nada"...

E viva os congestionamentos de trânsito para desespero dos apressados.

Carlos Romero
Professor e cronista.
Membro da Academia Paraibana de Letras.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Coluna Opinião.
Edição de 30/05/2011.

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