
um conto - uma crônica
Não imaginava que um tema tão prosaíco como andar de ônibus gerasse tanta repercussão, como ocorreu a partir do artigo publicado neste mesmo espaço há uma semana. Foi o artigo sair e os depoimentos se sucederem sobre problemas que as pessoas enfrentam quando decidem se descolar para o trabalho, para o laser ou para qualquer outra atividade em transporte coletivo.
Vou começar citando os problemas relatados em casa. Minha sogra quebrou uma costela por causa de uma arrancada. Após se estatelar no piso do ônibus o motorista parou e deu toda a assistência. Ela perdoou o infeliz e não o denunciou. Pensou na manutenção do emprego dele e no sustento da família, mas ficou com as dores por algum tempo enquanto era tratada.
Minha mulher também foi vítima de um solavanco de primeira. Ficou com o joelho inchado e perdeu algumas compras que levava para casa. Não deixou barato: quando foi descer do ônibus lembrou ao motorista que ele transportava pessoas e não bois, sob aplausos dos passageiros. Calado estava calado ficou.
Dois colegas de trabalho fizeram os relatos a seguir.
O primeiro contou que alguns motoristas, para não fazerem o percurso completo, perguntam quando se aproximam de determinado local se há alguém no ônibus com destino a tal lugar? Se nenhum passageiro se manifestar, o motorista simplesmente encurta a viagem não se importando se no local para onde deveria levar o ônibus há algum usuário esperando. Também já presenciei cena como esta.
O segundo colega contou sobre o problema que ocorre quando algum cadeirante precisa subir nos chamados ônibus "eficiente". A operação do equipamento que permite o acesso é um desastre, em alguns casos, com os passageiros perdendo um tempo imenso enquanto a porta é posta em funcionamento. Também já testemunhei situação semelhante.
Mais duas histórias para terminar:
Vi um motorista abrir a porta para alguém descer na faixa do meio da Epitácio Pessoa! O passageiro pediu parada exatamente em meio a uma tentativa de ultrapassagem de outro ônibus. O motorista abriu a porta e recomendou:
- Cuidado!
E quarta-feira à noite, anteontem, os colegas Fábio Cardoso, editor de economia e Thiago Casoni, repórter fotográfico, ambos do Correio, testemunharam o ônibus que esperávamos queimar a parada por traz do Cassino. Pensem num tema rico em histórias!
Luiz Carlos Sousa
Jornalista.
Publicada no jornal Correio da Paraíba.
Edição de 29/04/2011.
Coluna: Opinião.
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