terça-feira, 3 de maio de 2011

Luiz Carlos Sousa - Andar De Ônibus É Uma Torturas

um conto - uma crônica
Nos últimos meses decidi me locomover pela cidade utilizando o serviço de transportes coletivos, os famosos ônibus. Pensei na tranquilidade que seria enfrentar o trânsito com um profissional me conduzindo a qualquer destino.

Queria curtir as ruas, observar a ornamentação da cidade, suas árvores e testemunhar o drama de quem tem que dirigir um automóvel pela cidade, a partir da visão que a janela do ônibus oferece.

Mas, confesso que estou querendo voltar a dirigir. Em pouco tempo presenciei cenas que afastam qualquer um dos coletivos. Vejam o diálogo que estemunhei entre um "gringo" e um "condutor":

- Estrangeiro, com sotaque carregado:

- Motorista para ir igreja São Francisco qual melhor parada?

Motorista em tom raivoso:

- Pergunte a um taxista.

Uma senhora interveio para acalmar o "gringo" que chamava o motorista de incompetente.

- Não ligue que esse motorista é assim mesmo. Já brigou com vários passageiros.

Além dessa discussão, um absurdo em se tratando de um serviço fundamental para quem quer receber turistas, por exemplo, há motoristas que não têm o menor respeito com os idosos, aliás, com qualquer passageiro.

Eles arrancam como se fugissem do inferno, provocando solavancos. Contaram-me, essa não testemunhei, mas como foi minha mãe que relatou, acredito. Disse-me que certa vez a saída foi tão brusca que uma senhora caiu em cima da tampa do motor.

O que vejo todos os dias, repito todos os dias, são arranques, queima de paradas e uma inacreditável emulação entre motoristas, especialmente na Epitácio Pessoa na tentativa de fugir do trânsito pretensamente engarrafado. Eles se ultrapassam mutuamente, enquanto passageiros, desesperados, fazem sinais nas paradas, na vã expectativa de que o ônibus vai parar.

E ainda há um detalhe: pego ônibus de várias empresas e, infelizmente, esse testemunho que relato não foi em relação a uma empresa, mas à todas.

Há algum tempo decidi anotar nome da empresa, número do ônibus e local da ocorrência para informar a quem de direito, mas desisti ao pensar nas famílias dos pobres coitados que ficariam desempregados enquanto seus substitutos repetiriam as mesmas cenas nas ruas de João Pessoa.

Afinal, o problema não é de um ou outro motorista, mas de todos. É uma questão de qualificação profissional.

As empresas deveriam investir em treinamento e capacitação, só assim haverá um mínimo de respeito.

Luiz Carlos Sousa
Jornalista.

Publicada no jornal Correio da Paraíba.
Edição de 22/04/2011.
Coluna: Opinião.

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