O espelho nos permite enxergar a nossa própria imagem refletida numa superfície formada por uma película metálica, depositada sobre um vidro polido, ou pela superfície de um corpo metálico polido. É instrumento indispensável na vida dos seres humanos, que o utilizam ora como peça decorativa para ornamentar ambientes residenciais, lojas, repartições, palácios, ban heiros, hotéis, motéis etc., ora como peça capaz de refletir tempos e momentos de luxúria, de promiscuidade, tramas, ingratidões e traições, e, paradoxalmente, instantes de lealdade, amor e fidelidade.
Esse objeto, em formato pequeno e redondo, tempos atrás, também foi símbolo de uma geração, considerada por alguns como rebelde, com o espírito voltado para a liberdade, para o rock and roll. Era um período em que os jovens costumavam conduzi-lo para facilitar o massagear do pente introduzindo a brilhantina nos cabelos, a fim de sempre manter a trunfa esteticamente bem armada.
Espelhos mágicos fascinam a vaidade de mulheres e homens, que não conseguem passar um dia sequer sem parar por algum tempo diante deles. E assim ajeitam os cabelos, provam uma, duas, três, quem sabe quantas roupas? Espelhos que refletem imagens da matéria corpórea de cada um de nós.Espelhos que em telescópios levam os olhares humanos para o enigmático mundo cósmico, infinitamente misterioso e que aguçam a interminável curiosidade dos homens.Espelhos que encandeiam e provocam eventos trágicos e indesejáveis.
Espelhos que nunca mentem, pronunciam sempre a verdade, refletem inexoravelmente a nossa face. Se cada um de nós, todos os dias, por alguns instantes, ficasse defronte de um espelho e, através do foco de nossa própria retina, buscasse uma auto-reflexão, dialogando com nossa essência espiritual, talvez não houvesse tantos espinhos em nossos caminhos. Talvez as veredas fossem de flores, perfumes, solidariedade e amor.
Mas toda vez que o espelho procurar nos enganar, não nos devolvendo o reflexo do nosso próprio existir, certamentenão o fará por conta própria. Assim agirá porque a mão do homem ardilosamente, o fez refletir imagens distorcidas, que não condizem com a verdade.
Não precisamos desse tipo de espelho. Devemos, sim, olhar para um espelho que nos permita conversar com nosso próprio íntimo e, mirando o nosso rosto, dizer: Fico triste quando alguém me ofende, mas com certeza, eu ficaria mais triste se fosse eu o ofensor. Magoar alguém é terrível! Planejar a infelicidade dos outros é cavar com as próprias mãos um abismo para si mesmo. O bem que praticares, em algum lugar, é teu advogado em toda parte! (O Evangelho de Chico Xavier).Onaldo Queiroga.Escritor e Juiz de Direito.Esquina da Vida
Capítulo II - O Homem e as Esquinas
Passa o tempo e a história nos mostra que apenas mudam os
personagens, também flagelados.
Página 65 e 66.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Onaldo Queiroga - O Espelho
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário