sexta-feira, 6 de maio de 2011

Onaldo Queiroga - O Telefone, Ontem E Hoje




um conto - uma crônica


Ontem, num tempo não muito distante, na década de 1980, o telefone era coisa rara. A maioria das cidades brasileiras possuíam um posto telefônico, onde os ramais ficavam espalhados pelas residências, casas comerciais e orgãos públicos. Assim, era na minha cidade Pombal.

Com isso, dentro da própria cidade, as pessoas se comunicavam através dos ramais, e quando desejavam realizar uma ligação para uma outra localidade, solicitavam ao posto telefônico a realização da chamada ou compareciam pessoalmente ao posto de onde era feita a ligação. Até uns dez anos atrás, acredito, alguns pequenos municípios do Brasil ainda utilizavam esse sistema de telefonia.

Outra coisa que me veio à mente foi que em cada residência, basicamente, só havia uma linha telefônica, artigo esse considerado de luxo e que, inclusive, chegou em determinado período a possuir um valor significativo, em termos monetários, sendo um dos bens sobre os quais mais recaíam penhoras judiciais. Nesse ponto, recordo-me que, quando havia leilões judiciais, algumas pessoas chegavam a comprar várias linhas telefônicas, por preços inferiores aos praticados no mercado, à época, justamente para vendê-las por um preço maior aos mais desavisados.

É, mas o tempo passou e surgiu, então, a denominada telefonia móvel, que, através dos aparelhos celulares, revolucionou esse meio de comunicação. Com esse tipo de telefonia, ocorreram mudanças significativas no nosso dia-a-dia.

O fato é que se os nossos pais achavam altas as contas telefônicas e exerciam um controle rigoroso sobre o uso desse serviço, agora, imaginem nos dias de hoje, em que, além do telefone fixo, cada integrante da família também tem uma linha telefônica móvel, ou seja, ao invés de uma só conta, hoje temos que arcar com as despesas decorrentes de várias faturas telefônicas.

Outro aspecto é que, se a telefonia móvel, com seus planos pré-pagos, popularizou o uso desse serviço de comunicação, de outro lado, registra-se um certo exagero no uso do celular, pois verificamos a existência cada vez maior de casos em que, num único aparelho, o cidadão utiliza diversas linhas telefônicas (Oi, Tim, Claro e Vivo), transparecendo algo facilitador para o usuário, porém, estranho em termos comportamentais.

O celular também trouxe uma tecnologia que permite que num só aparelho, o cidadão possa utilizar serviços de internet, de TV, de rádio, de fotografia, de vídeo, etc. Os efeitos relacionados com a saúde, é algo que concretamente ainda não é do nosso conhecimento.

Para uns, o celular incomoda e é inconveniente. A realidade, contudo, demonstra que essa tecnologia tornou-se algo indispensável, mas que deve ser utilizado com moderação e racionalidade.

Onaldo Queiroga.
Escritor e Juiz de Direito.

Publicada no Jornal Correio da Paraíba.
Coluna: Opinião
Edição de sábado.

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