Eis aí duas coisas muito importantes em nossa vida: experiência e sabedoria. Ora, ora, é isto, justamente, que nos dá a longevidade, que significa maturidade.
Vejamos a experiência, que significa vivência, aprendizado. E o velho Camões, em suas Lusíadas, enfatizou a expressão: o saber da experiência feito". O moço, coitado, não possui experiência, de vez que esta é produto da vivência. Refiro-me à experiência aqui no mundo.
Não sei por que diabo chamam um homem bem vivido de velho. Velho é quem se acha velho. Velho é aquele que diz: "no meu tempo não era assim". Que tempo? Quem assim pensa já está morto e não sabe. E há gente assim, que imita o caranguejo, isto é, anda para trás... Dizem que recordar é viver. Confesso, leitor, que nunca me apeteceu olhar para trás e ficar remoendo lembranças. Mas cada qual com suas manias, que respeito de coração.
E quer saber de uma coisa? Se me dessem 15, 20 ou mesmo 30 anos eu recusaria.Marcha a ré no tempo, jamais. Adoro o presente e pronto. Dizia Platão que viver é recordar. Mas esse recordar do filósofo refere-se às vidas passadas, segundo os estudiosos de sua filosofia.
Disse também Platão que admirava as crianças pelo espanto diante da vida. Muitos idosos perdem esse encanto, o que é uma pena.
O filósofo grego tinha razão. É a curiosidade que rejuvenesce a pessoa. Pobre e velho é aquele que perdeu esse apetite pela vida. Daí eu dizer que velho é aquele que se julga. Aqui vem a lembrança de minha mãe que sempre dizia: "meu filho,eu gosto da velhice. Eu só não gosto do velho que parou no tempo e não se interessa mais por nada". E saber que ela atravessou um século de vida, decifrando palavras cruzadas e charadas.
E aqui vai uma confissão: eu era garoto e não gostava da companhia dos garotos da minha idade. Procurava sempre conviver com os mais vividos.
Mas voltando à experiência, esta é que nos amadurece. Digo amadurece, que é diferente de envelhece. A beleza da vida está na maneira como a vemos. Se a olhas com amor, com sabedoria, ela se torna bela.
Dizia o grande Anatole France que o ideal seria que nascêssemos velhos e morrêssemos crianças. Que absurdo! Mas você já imaginou trocar a experiência, a sabedoria pela inocência, pela ignorância?
Mas a crônica chegou ao fim e agora senti um forte desejo de andar de patins pela calçada. Está aí uma coisa que invejo no moço. Todavia, jamais gostaria e ter a sua cabeça. E termino dizendo: viva uma vida bem vivida. Voltar ao passado, jamais. O leitor, por acaso, gostaria de vestir sua roupa de criança? Ocorre que ela nem daria mais em você...
Carlos Romero
Professor e cronista.
Membro da Academia Paraibana de Letras.
Publicada no jornal A União.
Coluna Destaque
Edição de 31/12/2010.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Carlos Romero - Experiência E Sabedoria
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