um conto - uma crônica
Outra coisa que o filme não deixou entender é como Lula passou de operário alienado para sindicalista atuante.
'Pulo' na história
A única 'passagem' possível é a que mostra Lula caminhando por uma calçada e no meio da rua surge um caminhão carregado de operários em greve a caminho de um piquete em uma fábrica onde colegas fura-greve estariam confinados.
Instado por um irmão mais velho que já participava do movimento, meio a contra-gosto Lula sobe no caminhão e depois aparece acompanhando, horrorizado, a invasão da fábrica e o arremesso de dois fura-greve de uma sacada.
Não se sabe se os caras morreram ou não, muito menos porque Lula, que reage mal ao que viu, nas cenas seguintes já é visto se articulando dentro do Sindicato dos Metalúrgicos, como se fosse um velho camarada das antigas lideranças da entidade.
Pior é a fala de Lula na primeira reunião dele como novo dirigente do Sindicato. Tem uma hora lá em que pede à 'companheira' para não hostilizar o patrão porque é o patrão quem lhes paga o salário.
Duvido que um sindicalista com um mínimo de formação política diga algo parecido. Inda mais naquele tom, de quem acha que patrão faz concessão - ou favor - de pagar o salário para explorar a força do trabalho do operário que lhe dá lucro e fortuna?
Choro fácil
Tem mais, mas vou parar por aqui, na expectativa de que outros amigos e amigas que não tenham assistido ainda a 'Lula, o filho do Brasil' assistam e depois me digam o que acharam e, principalmente, se acharam o que achei no filme, do filme.
Lembrando, de qualquer modo e sorte, que a gente não pode esquecer que o próprio diretor disse, em entrevistas, ter optado por contar a história do pré-Lula através de um dramalhão, no formato de um filme para fazer chorar de emoção quem o assiste.
Não tenho a menor dúvida de que é isso o que vem acontecendo nas salas onde o filme está sendo exibido, porque muita gente que conhece um pouco a história de Lula sabe o quanto ele sofreu para chegar aonde chegou.
Rubens Nóbrega
Jornalista
Publicada no Jornal Correio da Paraíba.
Edição 04/01/2010.
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