sexta-feira, 1 de julho de 2011

Rubens Nóbrega - Lula Merecia Mais



um conto - uma crônica

Presenciei sábado, último à tarde, no cinema do shopping center de Juazeiro (CE), uma fila de interessados em assistir 'Lula, o filho do Brasil', de Fábio Barreto, três vezes maior do que a fila para 'Avatar', de James Cameron.

A maior preferência pela fita sobre a vida de Luiz Inácio até virar Lula deve ser porque mostra uma parte ainda pouco conhecida da história de um homem que hoje é venerado feito santo no interior do Nordeste. Feito um Padre Cícero, por exemplo.

Além disso, 'Avatar' deve estar nos seus últimos dias. Daí ser maior agora o interesse pelo filme brasileiro, que estreou nas salas de cinema no primeiro dia do ano, depois de uma pré-estréia relativamente bem concorrida nas versões piratas.

Antes de entrar no circuito dito comercial, contudo, 'Lula, o filho do Brasil' teve avant-première em alguns festivais do cinema nacional, a exemplo do nosso Fest-Aruanda, realizado em dezembro último no Hotel Tambaú, em João Pessoa.

Fui à abertura do Aruanda para ver 'O Filho do Brasil' e, sinceramente, não gostei. Aliás, foi muito mais divertido e interessante ver o prefeito Ricardo Coutinho (PSB), da Capital, aplaudindo todo encabulado a homenagem da organização do evento ao governador José Maranhão (PMDB).

Quanto ao filme, achei muito fraco, ruim mesmo. Não quero com isso convencer ninguém a deixar de ir. Se você ainda não assistiu, vá, por favor. Nem que seja para conferir se o colunista tem ou não razão. Mas não deixe de ir por conta de minha opinião.

Ilustração errada

Não sou autor que se cite em matéria de cinema. Não saberia dizer exatamente, tecnicamente, porque o filme não me agradou, mas lhes digo que consegui ver e guardar na memória duas ou três cenas que a meu sentir descredibilizam por inteiro a obra.

Além disso, as 'falhas' que encontrei abalam a verossimilhança que a produção nem precisava ter, considerando que se trata de um filme pretensamente 'biográfico', que talvez se desse melhor se usasse a linguagem de documentário.

Pra vocês terem uma idéia dos erros que penso ter detectado, posso estar enganado, confesso, mas botei na cabeça que vi dois ou três segundos da cena de uma reunião do gabinete do general-presidente Castelo Branco ilustrando comentários ou informação de algum prsonagem do filme sobre a edição do AI-5.

A cena histórica (acredito que se trata da posse do ministério de Castelo Branco) aparece na tela de um aparelho de tevê das antigas, em preto e branco, colocado no fundo da sala. Aparece desfocada, propositadamente, e só por dois ou três segundos, como já disse.

Ora, até eu sei que quem assinou o AI-5, em dezembro de 1968, foi Costa e Silva , o segundo general-presidente Costa e Silva da ditadura.Castelo morrrera ou fora assassinado um ano antes do ato que endureceu ainda mais o regime, um ano antes do então sindicalista Lula ou um amigo falar alguma coisa sobre aquele evento.

Buraco negro

Outra coisa que o filme não deixou entender é como Lula passou de operário alienado para sindicalista atuante.

Rubens Nóbrega
Jornalista

Publicada no Jornal Correio da Paraíba.
Edição 04/01/2010.
continua...

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