sexta-feira, 4 de maio de 2012

Onélia Queiroga - Catorze Anos Depois...


um conto - uma crônica
O acervo discográfico de Nelson Gonçalves continua insuperável. Surpreende pela riqueza de temas, de ritmos, de timbre e interpretação belíssimos de sua voz.


Nelson enriqueceu o cancioneiro popular brasileiro como nenhum outro cantor o fez. Isto é indiscutível. Basta que se examine a variegada sucessão de 78 rotações, passando pelos compactos duplos, discos de 45 RPM, compactos simples, pelos long-plays, gravados e regravados, pelos CDs e vídeos

A pesquisa não se esgota por aí, porque Nelson Gonçalves prestou contas a modernidade, através de múltiplas parcerias construidas com os talentos da nova geração, gravando com eles LPs e CDs, até bem próximo de sua morte, quando prestes estava a receber outro "Disco de Ouro", pelo "Ainda é Cedo".

Os dados estatísticos divulgados das canções gravadas por Nelson, muitas vezes têm sido questionados pelos estudiosos da sua vida e do seu repertório musical, levando-os as controvérsias mais díspares.

Fala-se em 1.500 até mais de 2.000 canções. O meu interesse sobre o tema aguçou durante pesquisa de leitura da contracapa do long-play - "Nelson 35 anos depois".

Os comentários nela postos são da lavra de Adelino Moreira e datam de 06 de junho de 1974. No introito de sua exposição, o emérito compositor afirma que "Nelson Gonçalves gravou nestes 35 anos da RCA Victor mais de 1.200 músicas". O tempo é vasto, o número de canções também o é. E isso foi do ano acima referido.

Na contracapa do "Nelson até 2001", de 1976, no asterisco final temos a grata satisfação de saber que o long-play consta a milésima canção gravada pelo cantor:"Nossa história", de Joege Costa e Paulo Machado.

A circunspecção dominou-me ao saber que a música fora gravada no dia 11 de maio de 1976, no estúdio A, da RCV Victor, de São Paulo. A matemática é ciência infalível. Ora, se, em 1974 Nelson Gonçalves já gravara mais de 1.200 musicas, como poderia estar gravando, em 1976, dois anos depois a milésima música?

Nelson merece unanimidade, não controvérsias. Comprometo-me daqui, com ajuda da voz maior lá do alto, e dos pesquisadores interessados em encontrar o índice real de sua imensa produção musical, para fazer-lhe justiça.  


Onélia Queiroga.

Escritora e Professora de Ciências Jurídicasda Faculdade de Direito da UFPB.

Publicada no Jornal Correio da ParaíbaColuna: Aos domingos.Caderno: Cultura/Lazer.Edição de 15/04/2012.

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