quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Carolina Porto - Pedro Américo - O Artista Do Imperador



O pintor paraibano Pedro Américo desde muito cedo alcançou o status que alguns artistas não experimentam nem postumamente. Aos 10 anos, ele foi nomeado desenhista da missão científica do naturalista francês Louis Jacques Brunet, para retratar a fauna e a flora do Nordeste brasileiro.

Mais tarde, depois de se formar na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, o pintor recebeu uma bolsa de estudos do imperador D.Pedro II para aprimorar seus conhecimentos na Escola de Belas Artes de Paris, onde foi aluno dos pintores Jean-Auguste-Dominique Ingres e Horace Vernet.

Em Paris, Pedro Américo aproveitou para ampliar seus estudos não ficando restrito ao âmbito das artes plásticas. Por isso, resolveu estudar literatura e filosofia na Universidade Sorbonne e deu início também aos estudos de física no Instituto Ganot.

De volta ao Brasil, assumiu a cadeira de desenho da Academia Imperial de Belas Artes e recebeu a cátedra de história da arte, estética e arqueologia - ciência que, aliás, era uma paixão de D.Pedro II, o que mostra como o pintor gozava de prestígio junto à realiza.

Embora tenha sido um artista versátil, o destaque da arte do paraibano de Areia fica por conta da pintura, cujo estilo recebe influência do Neoclassicismo. Pedro Américo tinha uma preferência clara por pintar momentos históricos, nos quais as cores reais assumiam uma conotação idealizada. Mas fazia isso imprimindo um movimento que, segundo o artista plástico paraibano, Flávio Tavares, revelava sua genialidade. "Pedro Américo conseguia dar um movimento à sua pintura que poucos conseguiram alcançar. O tamanho da grandeza estética do trabalho dele é tanta, que fica difícil dimensionar", contou.

Os quadros mais conhecidos do pintor são "Batalha do Avaí", "Judith e Holofernes", "Rabequistas árabes", "Tiradentes esquartejado", e "Grito do Ipiranga". Essa última é a tela mais conhecida dele, que foi encomendada, pelo Governo de São Paulo, em 14 de julho de 1886. A obra deveria ficar pronta em 1889, mas Pedro Américo, que fez a obra em Florença, finalizou o trabalho um ano antes e, por isso, a expôs na cidade considerada o berço da arte.

Aliás, foi em Florença que Pedro Américo alcançou o auge do reconhecimento no mundo das artes plásticas, uma vez que, a pedido do governo italiano, fez seu autorretrato para ser exposto na sala dos pintores renomados da Galleria Nazzionale degli Uffizzi.

O pintor paraibano - um dos famosos de sua época - morreu em Florença, aos 62 anos. A pedido do governo do estado, ele foi enterrado na Paraíba. Apesar de ter passado tanto tempo fora de sua terra, a influência de Pedro Américo para as artes plásticas do estado ecoa até hoje. Flávio Tavares que, desde pequeno visitava o Museu Pedro Américo, onde se encantava com o mundo e as cores imponentes do artista, aponta que ele tem uma influência quase mágica sobre as artes da Paraíba. "Pedro Américo contribuiu para o aparecimento de várias gerações de grandes artistas da Paraíba, como Hermano José. Todos eles se sentiam influenciados não só pela estética do gênio criativo, mas também por se saberem herdeiros dele", finalizou.

Por Carolina Porto
Publicado no jornal Correio da Paraíba
Caderno Cultura
Paraíba Monumental 427 anos
07 de agosto de 2012

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