quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Renato Félix - Sivuca: Um Paraibano Do Mundo




O forró não parecia ter qualquer coisa a ver com salas de concerto, mas o itabaianense Severino Dias de Oliveira, mudou isso. Ele se dedicou, na fase final de sua carreira, a missão de fazer da sanfona um instrumento sinfônico. Em 2004, gravou o CD "Sivuca Sinfônico", com a Orquestra Sinfônica de Recife, com obras como a "Rapsódia Gongaguiana" o "Concerto Sinfônico para Asa Branca". 

Foi mais um ponto alto de uma carreira ímpar para um artista paraibano da música.Nascido em 1930, Sivuca já se apresentava profissionalmente pelo interior da Paraíba aos 9 anos. Aos 15, passou a integrar o elenco da Rádio Clube de Pernambuco. 
Estudou harmonia com o maestro Guerra Peixe. Em 1949, foi para São Paulo acompanhando Carmélia Alves e gravou seu primeiro disco em 1951.

Se mudou de vez para o Rio de Janeiro em 1955. Ainda nos anos 1950, começou a excursionar na Europa e em 1959 foi contratado por uma boate de Lisboa. De 1960 a 1964, morou e trabalhou em Paris. Depois, Estados Unidos, passando quatro anos tocando com a então estrela Miriam Makeba e dirigindo seu conjunto - e ela ainda gravou, "Adeus, Maria Fulo", dele e de Humberto Teixeira.

Com ela, viajou por vários países do mundo e acabou gravando discos na Suécia e no Japão.Deixou Makeba em 1969 e passou a trabalhar com Harry Belafonte em 1971. Nos anos 1970, também trabalhou com Paul Simon e Bette Midler, antes de voltar definitivamente ao Brasil, em 1977.

Aqui, não demorou a entregar a Chico Buarque uma melodia composta em 1947 - e aí nasceu "João e Maria", uma de suas principais canções. Em 1978, outro clássico: "Festa de mangaio", dele e Glorinha Gadelha, imortalizada por Clara Nunes. Em 1985, voltou à Suécia para gravar três discos e escreveu o "Concerto Sinfônico para Asa Branca", que mostrou uma nova direção a seguir.

Ele continuou na sua rotina de shows pelo Brasil e pelo mundo e obras para concerto dando à sanfona o status que ela sempre deveria ter tido. Morreu em 2006, em João Pessoa, queridíssimo.

Por Renato Félix

Publicado no jornal Correio da Paraíba
Caderno Cultura
Paraíba Monumental 427 anos.
07 de agosto de 2012

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