quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Fátima Araújo - A Força Da Lenda





um conto - uma crônica

Uma das figurações que mais enriquecem o imaginário social é sem dúvida a lenda, ora pela poesia e a força que carrega, ora pela criatividade que desperta nas pessoas, a emoção, o lirismo, isto sem contar com a didática que enriquece os alunos.

Comentei isso com a professora Neuma Canuto, que encenou com seus alunos a lenda da flor de lótus, retirada do livro de minha autoria, Emoções no Egito e na Europa, eleito como paradidático no concurso "Autores Paraibanos - Projeto Alvorada", e graças a Deus sempre consultado pelos professores da Rede Estadual de Ensino.

Cultivada no Egito desde os tempos do domínio persa, por volta de 525 a.C., a flor de lótus ou nenúfar é sagrada para os deuses solares porque, ao nascer, se volta para o leste prestando honras ao sol. Simbolizava o Baixo Egito e, quando entrelaçada com as folhas do papiro, representava o Alto Egito, unificando portanto as duas regiões.

Nessa lenda, a ideia de ressurreição comparece de forma bela e sugestiva: por sua condição biológica, a flor se fecha ao anoitecer e submerge na água, emergindo e florescendo novamente ao amanhecer. Foi o que me contou Hannah, uma historiadora árabe que conheci no Egito, num cruzeiro pelo Rio Nilo.Ela me contou o seguinte:  "Ao anoitecer, nas margens do  Nilo,  uma mulher entregou ao lótus seu filho pequenino que havia morrido há poucos minutos. Enquanto via a flor envolver docemente a criança, a mãe chorou tanto que adormeceu ali mesmo, no leito frio do rio. Na manhã seguinte, o lótus despontou vitorioso da água, trazendo o menino são e salvo, para alegria da mãe".

O Egito é assim: repleto de Histórias, beleza, poesia, mistério e encantamento. Por isso, sou apaixonada por aquela bela terra dos faraós e estou pedindo a Deus que a paz volte a reinar entre eles, depois dos conflitos dos últimos tempos.


 Fátima Araújo
Escritora, jornalista,historiadora e pesquisadora.

Publicada no Jornal Correio da Paraíba
Caderno: Cultura/LazerColuna: Acalanto
Edição de 26/06/2012.

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