quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Renato Félix - Augusto Dos Anjos - Uma Admiração Centenária



A celebração em torno do centenário do livro "Eu", este ano, mostra o alcance da obra de Augusto dos Anjos. O poeta paraibano é considerado com um estilo tão particular que é até difícil encaixá-lo em algum movimento ou gênero. Pré-modernista?

Nascido no Engenho Pau d'Arco (que hoje fica em Sapé), em 1884, ele estudou e foi professor do Liceu Paraibano. Ele ingressou como professor na escola em 1908, um ano após se formar na Faculdade de Direito em Recife. E começou a desenvolver também sua visão poética, através de conceitos filosóficos, entre os quais, o de que morte e vida, seriam apenas fatos químicos.

"Eu" foi publicado no Rio de Janeiro, para onde Augusto tinha se mudado e tentava lecionar (com dificuldades para se manter; teve a ajuda financeira do irmão para publicar o livro). Apesar da repercussão positiva do lançamento, ele não viveria muito tempo para saber até onde o livro chegaria: morreu em 1914, de pneumonia, em Leopoldina, Minas Gerais, onde era diretor de um grupo escolar. Tinha 30 anos.

Nos anos 1960, o poeta Ferreira Gullar foi decisivo para o reaquecimento das valorização da poesia de Augusto dos Anjos. E, de lá para cá, ele se tornou uma referência importantíssima, uma poesia marcada pela melancolia. Um exemplo do "Eu" faz parte do acervo da biblioteca da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, graças aos termos científicos das poesias.

Por Renato Félix
Publicado no jornal Correio da Paraíba
Caderno Cultura
Paraíba Monumental 427 anos
07 de agosto de 2012. 

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