um conto-uma crônica
A vida é o mais valioso de todos os bens. Preservá-la sempre foi o objetivo primeiro dos que almejam a proteção do ser humano numa sociedade justa e pacífica.
Nos tempos atuais, esse dogma sofreu profundas alterações, em face da grotesca ideia por muitos cultivadas de que o valor mede-se pelo quantum dos bens armazenados, sem perquirir de que forma chegaram ao invólucro ou embalagem.
Entendimento e prática perigosos que podem conduzir a um regime de sombras capaz de vedar nas massas a real visão dos fatos e conduzi-las a um abismo moral e espiritual.
O nosso mundo, aos poucos, vai perdendo o brilho do passado, como o cultivo da educação que se deve dar aos nacionais: a cultural e a espiritual; vai perdendo, ainda, o dever de dar capacidade às pessoas para trabalhar e viver do fruto dos seus esforços, com dignidade.
A realidade do nosso país é preocupante. Não se pode cultivar os velhos costumes de sentar na praça, para ver os amigos e conversar; não se pode ir a pé à venda da esquina, comprar o pão de cada dia. Arriscar-se a tão ousada investida é saber, de antemão, ter de enfrentar um assalto relâmpado, uma bala perdida ou não, detonada pelos donos das ruas e dos destinos das pessoas de bem.
Ninguém escapa dessa fúria sangrenta. Até o soldado, protetor da segurança da cidade e dos seus habitantes, transformou-se em alvo predileto a ser atingido pelos desviados do caminho do direito, da paz e da fé.
A bala voa e atinge a criança. Alveja, mais adiante, um adolescente. O idoso não pode correr o suficiente, para escapar da morte. Os três, se tivessem sido arrebatados por enfermidade lenta, não deixariam dor tão inconsolável como a que permanece no coração dos familiares, desde que foram assim arrebatados, sem ter o direito de dar um aceno à esperança de viver.
A mudança somente virá, quando o homem receber educação plena; quando for preparado para o trabalho que o engrandece e sustenta. Então, nesse dia, os pássaros cantarão uma linda melodia, dando alvíssaras ao mundo, pela nova era.
Onélia Queiroga
Escritora e Professora de Ciências Jurídicas da Faculdade de Direito da UFPB
Escritora e Professora de Ciências Jurídicas da Faculdade de Direito da UFPB
Publicada no jornal Correio da Paraíba
Coluna: Aos Domingos
Caderno: Cultura/Lazer
Edição de 25/11/2012

Nenhum comentário:
Postar um comentário