um conto - uma crônica
Ultimamente andei fazendo uma apologia sentimental e poética ao nosso querido e iluminado satélite. É que em sua última versão, a Lua apareceu transcendentalmente brilhante. Nada havia, nas recentes noites em que veio cheia, capaz de ofuscar sua performance no sereno palco sobre o magnífico e limpo horizonte do Atlântico. Nenhuma nuvem, nem um halo sequer lhe acariciava. Só as estrelas faziam-lhe coro, timidamente cintilando em seu entorno.
Eis que, na manhã seguinte, ele surge mais ousado. Também pleno e encorpado, despontava no horizonte. Sobre o mar logo reinou, pra dizer que trouxe o dia. E nas águas encrespadas, pelos ventos que vieram, incomuns em fevereiro, aumentava o seu brilho dissipado em vários tons. Mas que linda era a manhã que este sol vinha guiando. Fui em sua direção, avistá-lo da varanda. Que beleza de cenário era aquele, minha nossa! Parecia até que Deus falaria ao mundo pra dizer que tudo aquilo, Ele um dia nos criou.
Majestoso se elevava, e à medida que subia, entre o céu e o oceano, aumentava a magia do momento singular. Nessa hora nada mais importava, nem havia. Certamente quem dormia não sonhava com um dia que dourava a manhã de quem tinha o privilégio de sentir o que eu sentia. Quase em prece contemplei, no silêncio que também era parte da harmonia, toda aquela Natureza a quem bênção eu tomei.
Foi então que me ocorreu que o ciúme tinha parte nesta cósmica história, sobretudo por notar que há tempos eu não via uma manhã assim tão linda. Justamente quando a lua por aqui aparecera desfilando soberana como o centro do universo, nessas noites que há pouco nosso mar iluminou.
Mas o Sol desta manhã veio assim, exatamente pra dizer que é ele o responsável pelas cores deste mundo. Realmente não se nega, ele é senhor da luz. Que seria do luar, das manhãs e desse dia, sem o Sol a reluzir? Até mesmo nas tais noites que embalaram a poesia, era ele quem de longe dava brilho àquela Lua.
Deixa estar, meu belo Sol. Não te sintas enciumado, pois és parte de um conjunto totalmente abençoado, tanto quanto nós também, filhos deste Criador. Nunca penses que ao ver tantas luas no porvir deixarei de me lembrar do que vi, e pude ouvir, logo cedo quanto em ti tive a honra de acordar.
Que aprendamos tua lição, do amor que ilumina, sem cobranças nem mudanças, indiscriminadamente, a quem quer que lhe apareça. É assim que solidários deveríamos estar sempre, com os nossos semelhantes, sob o lume deste céu que sem ti nada seria...
Germano Romero é arquiteto e bacharel em Música.
Publicada no jornal Correio da Paraíba
Página Opinião
08/02/2013.

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