O Papa Francisco
Estive no Rio durante cinco dias, durante a visita do Papa que mobilizou milhões de pessoas do Brasil e de quase todas as partes do mundo.
Permaneci todo esse tempo em Copacabana, onde foram realizadas as grandes concentrações, nunca vistas antes no Rio de Janeiro.
Esquecendo as inúmeras falhas na organização e no atendimento aos cariocas, e principalmente aos peregrinos, o resultado da visita foi incensurável e ao mesmo tempo indescritível. Só vendo para crer.
No mundo onde prevalece o ódio, a mentira, a disputa desleal, a inveja e o desprezo à pobreza e aos idosos, as palavras, ações e gestos do Papa transformaram tudo isso em sentimento de amor, de solidariedade, de renovação e de respeito ao próximo.
Todo entusiasmo, paixão, solidariedade que o povo demonstrou na presença do Papa, tem muitas explicações e já foram dadas por vários analistas. Mas, eu me atreveria em acrescentar que esse apego só é dado a quem oferece muita confiança e boas razões de viver. Indiscutivelmente está faltando, hoje, quem ofereça isso às pessoas, pois a maioria está descrente dos nossos governantes, onde prevalecem a mentira, as promessas não cumpridas, o desprezo, a corrupção e os interesses individuais. Enquanto isso, e por isso, falta tudo ao povo, principalmente saúde, educação e segurança.
Na verdade, os poderosos que administram o nosso dinheiro se preocupam mais em manter seus privilégios e mordomias, como, por exemplo, o governador Cabral, que ainda não descobriu o Rio, mas os jovens cariocas já o descobriram e continuarão a protestar apesar dele ter afirmado que a partir de agora será menos arrogante e mais humilde.
É novidade para o povo tão descrente, ouvir de uma autoridade o apelo que protestem por seus direitos e por uma sociedade mais justa e humana. E que não desanimem, principalmente os jovens, diante de tanta corrupção e tantos outros atos que torna a maioria dos políticos pequenos, diante de tanta grandeza e coragem do Papa.
Temos a convicção de que nenhum outro líder do mundo iria para o meio da multidão sem blindagem, e para as favelas abraçar os pobres, os excluídos e os marginalizados.
Repito, nenhum outro líder mundial transformaria Copacabana, incluindo suas areias, calçadas e ruas no maior dormitório a céu aberto do mundo, sem atritos e enfrentando dificuldades, como a falta de banheiros, sanitários e a presença do frio e da chuva.
Finalmente confesso que senti fenômenos que provaram a presença da mão invisível de Deus, em determinada hora protegendo a todos.
Disso não tenho dúvida.
Francisco Evangelista é empresário e advogado.
Publicado no jornal Correio da Paraíba.
Edição 01/08/2013.
Opinião

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