quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Onaldo Queiroga - O Príncipe Da Sanfona

Dominguinhos

Garanhuns, terra do frio, a Suíça pernambucana, considerada a nascente que entregou ao mundo o príncipe da sanfona, o mestre Dominguinhos. Logo cedo ele mostrou-se especial, pelo dom que o ligava à música. Aos 8 anos de idade, como integrante do grupo musical "Os Três Pinguins", se apresentou para o Rei do Baião na sua terra natal. Com 23, já morando em Nilópolis-RJ, ele passa a frequentar diariamente a residência do Gonzagão, convivência que resultou num aprendizado importantíssimo na construção não só do músico, como também do próprio ser humano. Tratado como se filho fosse por Gonzaga, Dominguinhos começa assimilar as orientações e a ganhar sua confiança, por isso, já aos 16 ele entra em estúdio para acompanhar, com seu acordeon, Luiz Gonzaga, na gravação da música Forró no Escuro.

Ele andou por todo esse País dirigindo, abrindo shows, acompanhando instrumentalmente e até mesmo fazendo companhia ao Gonzagão. Conheceu o ápice, o declínio e o retorno triunfante da carreira de Luiz Gonzaga, isso contribuiu para o seu amadurecimento profissional e espiritual. É importante afirmar que mesmo diante de toda essa base gonzaguiana, Dominguinhos conseguiu demonstrar que podia e pôde ter uma identidade própria, porém, mesmo assim, sempre tocava as canções do "Lua". Fidelidade? Lealdade? Sim, mas acima de tudo um compromisso de gratidão e uma ligação espiritual muito forte. Nos anos 1960, ele tinha um programa de rádio, contudo, ao invés de divulgar seu trabalho, na verdade só focava o repertório de seu Luiz. Chamando atenção pela direção da emissora, no programa seguinte, incrivelmente, ele tocou novamente Gonzaga.

Era assim, e foi assim até o fim. Mas devemos ainda lembrar que após a morte do Gonzaga,em 1989. Dominguinhos passou a ser o seu discípulo maior, e cumpriu à risca os mandamentos gonzaguianos, pois nunca fugiu da linha do forró, mas também mostrou ao mundo que sua sanfona era eclética, transitava por diversos ritmos, sendo um dos mais requisitados instrumentistas deste País, tanto é que gravou com a Bossa Nova, tocou com a Tropicália, era bamba no chorinho, gravou jazz, frevo, jovem guarda, e tantos outros ritmos.

Enfrentou a doença de frente, jamais esquecendo o sorriso e a simplicidade. Andou por estradas e estradas, sempre com seu amor maior, a sanfona. Numa missão derradeira foi a Exu no centenário do Rei do Baião, e no dia 13 de dezembro fez seu último show, despedindo-se do público cantando Asa Branca. Com sua partida, ficou o exemplo de humildade, simplicidade e do músico por excelência, de insubstituível musicalidade. Mas, enquanto houver uma sanfona, uma zabumba e um triângulo ele viverá. Viva Dominguinhos!

Onaldo Queiroga é juiz de Direito.

Publicado no jornal Correio da Paraíba
Edição 03/08/2013
Opinião.   

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