terça-feira, 1 de abril de 2014

Germano Romero - Escola De Música Anthenor Navarro

No centro entre os primeiros alunos: Gazzi de Sá
Foto: Ribeiro. 1977

Antiga Escola De Musica Anthenor Navarro

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É de comover o que uma simples escola de música pública, a única da Paraíba, pôde fazer ao longo de tantos anos e com tão pouco recursos.Por isso começamos a coluna de hoje somando aplausos pelos 80 anos que a escola Anthenor Navarro comemora na próxima segunda-feira, nascida em 1931.

Com origem numa idéia do casal de músicos Gazzi de Sá e Ambrosina, "Dona Santinha", na verdade ela se iniciou como "Curso de Piano Soares de Sá", em 1929, numa casa cedida pelo Interventor do Estado, Anthenor Navarro, um apaixonado pelas artes e pela boa música, amigo da família. Logo após o acidente de avião que o vitimou, Gazzi de Sá troca imediatamnte o nome do curso para "Escola de Música Anthenor Navarro", que se mantém até hoje, homenageando o honroso patrocinador.

E por anos continuou formando bons músicos, até que Gazzi foi chamado a ensinar no Conservatório Nacional de Canto Orfeônico no Rio de Janeiro, a convite de Villa-Lobos, imagine o seu valor.

Foi aí que sua estimada discípula, assessora e professora de piano Luzia Simões, assumiu com garra indomável as rédeas da EMAN. De lá pra cá a história da escola foi uma ária tocada na mesma corda - o amor - por dedicados mestres e amigos da música, e, até hoje, nenhum gestor público subsequente, salvo José Américo de Almeida e Tarcísio Burity deu apoio à nobre causa, tendo a Anthenor Navarro, por décadas, perambulando em vários imóveis, ora cedidos, ora emprestados, e até sido roubada em todos os seus instrumentos, quando só lhe deixaram os velhos pianos.

Mesmo assim, se mantém na incansável luta pelo ideal de formar músicos que orgulham a Paraíba lá fora, reconhecida como raro celeiro de bons cantores e instrumentistas. Sobretudo nessa época em que a musica tem-se progressivamente vulgarizado e contaminado a juventude do país, que, apenas pela falta de educação, deixa-se levar por um consumismo banal, inebriada pelo tal forró-pornô, que tal qual droga perniciosa embota os sentidos mais nobres da alma e da inspiração humanas.
Hoje, sem nunca ter desfrutado de edificação própria, acolhida em precárias instalações no Espaço Cultural desde o governo Burity, a Escola de Música Anthenor Navarro ainda ousa em ter no seu quadro discente cerca de 800 alunos, em busca de arte e cultura eruditas, cada vez mais raras no ensino e no convívio dos nossos jovens. Tudo fruto de um trabalho dispensado por idealismo e paixão à música, aos trancos e barrancos, pela família Simões, a herdeira de um ideal que resiste em ser órfão. Se tivermos a sorte de alguém deste governo ler o recado aqui escrito, já nos damos por satisfeito. São os nossos parabéns.

Germano Romero
Arquiteto.

Publicado no jornal Correio da Paraíba
Edição de 28/10/2011.
Coluna Opinião.

Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc).
Diretora responsável pela EMAN: Vólia Campelo Simões.
Espaço Cultural José Lins do Rego
Fotos: FUNESC

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