sábado, 27 de fevereiro de 2016

Marco Nanini

Marco Nanini

"Não considero que saí do armário porque nunca entrei nele. Além disso, só falei uma coisa que todo mundo já sabia."

Ficha técnica

Nome: Marco Antonio Barroso Nanini
Data de nascimento: 31/05/1948
Local de nascimento: Recife, Pernambuco
Idade: 67 anos
Signo: Gêmeos
Último trabalho: Marco está atualmente no ar como o professor Pancácio, em Eta Mundo Bom! 
Status de relacionamento: Solteiro
Curiosidade: Nanini já trabalhou em um banco e um hotel. Em 1986, estreou a peça O Mistério de Irma Vap, reconhecida pelo Livro dos Recordes como a peça que manteve o mesmo elenco por mais tempo (11 anos). Em uma entrevista à revista Bravo, concedida em 2011, Nanini afirmou ser homossexual. "As vezes, pintam umas namoradas, uns namorados... Namoradas, não Namorado", disse confirmando a suspeita de todos.

Sérgio Guizé e Marco Nanini em Eta Mundo Bom!
"Adoro encarnar personalidades variadas pra fugir da realidade!"
Em sua  volta às novelas, após 16 anos, o astro de Eta Mundo Bom! se desdobra entre inúmeros disfarces de seu professor Pancrácio (Marco Nanini) para delírio dos fãs da trama das 6.


Mil disfarces em um só

Em seu primeiro disfarce, Pancrácio (Marco Nanini)fingiu ser cego e pediu esmolas na porta da igreja.

A diversão toma conta de Eta Mundo Bom! todas as vezes que Pancrácio (Marco Nanini) se disfarça para conseguir dinheiro. Sem trabalho como professor, o personagem abre seu guarda-roupa encantado para escolher o traje do dia. Depois de decidir, vai até à porta da igreja pedir esmolas. De cego à freira, o que não falta é imaginação para o filósofo. Segundo a figurinista da novela, Beth Filipecki, a criação dos disfarces busca "conversar" com a caracterização dos personagens. "Filosofamos com o ator o que melhor poderia ser traçado para que o espectador curta a brincadeira. Junto do figurino, a caracterização tem um papel fundamental". Com tantas opções de disfarces, fica difícil escolher o mais legal. Para criá-los, a equipe de produção da trama tem desafios diários. "Os disfarces mais complexo são os dos personagens femininos porque precisamos formatar as curvas femininas transformando o físico e o peso do ator", conta Beth. Vamos aguardar e ver as próximas peripécias de Pancrácio, que ainda vai enganar as pessoas como uma ex miss São Paulo, mágico, vedete, entre outros.

O copo anda sempre meio cheio para Marco Nanini. O ator voltas às novelas como Pancrácio, o professor de filosofia que vive no "melhor dos mundos" em Eta Mudo Bom!. Depois de 16 anos afastado do gênero, o artista vê com otimismo o encontro com o personagem, que, vira e mexe, repete: "Tudo que acontece na nossa vida é para melhorar".Estamos nos tornando grandes amigos", afirma, divertido.

E, nessa brincadeira, o autor Walcyr Carrasco também apronta das suas. Para cada ano que Nanini ficou afastado dos folhetins, há um novo personagem a ser vivido nessa comédia romântica. Pancrácio se transforma em vários: vira mendigo e também uma senhora de respeito que pede donativos, por exemplo. "Acho que o Pancrácio é um ator frustrado", dispara o artista, às gargalhadas.

Nanini, cheio de otimismo fala mais sobre o seu professor atrapalhado para os leitores de TITITI. Vem filosofar com a gente!

Marco Nanini como a senhora que ajuda um orfanato arrancou gargalhadas do público.

Sem braço,e imitando um ex-combatente de guerra, o filósofo pediu ajuda a Anastácia (Eliane Giardini)

Todas as vezes que Pancrácio aparece em cena o riso rola solto. "Fiquei assustado no início, mas entendi que esses personagens disfarçados são interpretados pelo Pancrácio e não por mim", confessa Nanini.

Para ajudar Candinho (Sérgio Guizé), o professor se vestiu até mesmo de freira. 

Em meio a esse turbilhão, claro, ainda há tempo para ele sentir falta de Lineu, tipo que defendeu em A Grande Família de 2001 a 2014. "Mas é uma saudade sem melancolia", diz ele, que guarda o patriarca em um canto especial do coração.
Em A Grande Família, com Pedro Cardoso, Guta Stresser, Vinícius Moreno, Lúcio Mauro Filho e Marieta Severo

Curiosamente, Nanini faz sua reentrada triunfal nas novelas da mesma forma que sua amiga Marieta Severo, que viveu Dona Nenê, seu par no seriado. Os dois deixaram para trás os Silva a convite de Walcyr. Ela como Fanny, de Verdades Secretas (2015). Ele como Pancrácio, em Eta Mundo Bom!(2016).

Personagens inesquecíveis


Como Julinho em O Cafona (1971) ao lado da eterna Marília Pêra



Viveu o professor Josué na primeira versão da novela Gabriela (1975), com o saudoso Armando Bógus


Foi Jorginho em Feijão Maravilha (1979) e fez par romântico com Lucélia Santos

Brilhou no humorístico TV Pirata (1988-90/1992), em cena junto de Regina Casé

Ao lado de Fábio Jr. e Elizângela em Pedra sobre Pedra (1992)

Na minissérie Dona Flor e Seus Dois Maridos (1998), com Giulia Gam e Edson Celulari.

Como o divertido Otávio em Andando nas Nuvens (1999)

Entrevista

TITITI - Conseguiu voltar às novelas sem grandes turbulências após tanto tempo?

Marco Nanini - Aterrissei de uma forma bastante suave. O personagem me encantou logo de cara, na primeira conversa com o Walcyr. Já fiz tantas tramas das 6 na vida...Mas, depois de 16 anos fora, acredito que haveria algo de errado se não me sentisse, de alguma maneira, um pouquinho inseguro (risos)

TITITI - Está preparado para a maratona de seis, sete meses de gravação?

Marco Nanini - Sabe o que acontece? O elenco é grande. Então, há uma divisão maior de cenas. Até agora não bateu o cansaço, apesar de tudo estar sendo feito muito rápido. Não tem qualquer estresse. Deixa isso para quando a novela engrenar de uma vez (risos).

TITITI - Sentiu muita falta dos folhetins nesses anos?

Marco Nanini - Logo depois de Andando nas Nuvens (1999), fui fazendo alguns especiais para a TV, um pouco de teatro...mas, depois que encontrei A Grande Família, os anos foram passando e nem vi (risos). Foi muito interessante.

TITITI - Já bate uma saudade do Lineu Silva e de sua incrível família?

Marco Nanini - Não sinto falta, porque a gente combinou essa despedida com antecedência. Tenho profundo carinho por todos aqueles personagens, principalmente o Lineu. Foi um grande amigo, não dava o menor trabalho (risos). Achava tão legal o que estava fazendo e ele simplesmente baixava em mim (gargalhadas). Agora está começando a acontecer isso com o Pancrácio. Estamos fazendo uma belíssima amizade.

TITITI - O que acha de o Walcyr ter convidado tanto você quanto a Marieta para voltar às novelas?

Marco Nanini - Uma feliz coincidência. Nos últimos três anos, a gente já sabia do fim do programa. E, assim que terminou, a Marieta agarrou essa oportunidade, um ótimo papel, em Verdades Secretas. Logo, me convidaram para fazer o Pancrácio, que é adorável. Cheguei a perguntar para o Silvio de Abreu (autor e diretor de teledramaturgia): "Mas eles me querem mesmo?". Ele respondeu: "É óbvio!". Aí já tínhamos meio caminho andado. 

TITITI - Houve algum feliz reencontro nesse retorno?

Marco Nanini - Ah, com o Ary Fontoura (que faz o Quinzinho na trama). Nos conhecemos em 1966 e ele me deu muito apoio. Eu era um galeto, muito jovem (risos). Foi bastante generoso comigo, gente boa, me ensinou tanta coisa...Cresci atuando ao lado dele. Fizemos O Cafona (1971) e, depois de tanto tempo, olha nós aqui novamente. Estou adorando!.

TITITI - Como é mostrar sua versatilidade nesse tipo tão cheio de disfarces?

Marco Nanini - Gosto demais, porque é lúdico, feito de maneira não exatamente realista. Adoro encarnar personalidades variadas para fugir da realidade! Pelo menos um pouquinho, né? Já fiz tanta coisa assim. No teatro, a peça mais conhecidas é O Mistério de Irma Vap (1986). Mas participei de humorísticos, como TV Pirata (de 1988 a 1990 e em 1992). Fiz a peça Doce Deleite (1980 a 1984), que também tinha isso.

TITITI - Mas quando volta à realidade, a vê de forma positiva?

Marco Nanini - É tão difícil ser otimista nestes tempos...Porém, me considero alguém pra cima. Só não acredito nessa do Pancrácio de que os acontecimentos da nossa vida são todos pra melhorar (risos).

TITITI - E quanto tipos já encarnou nas gravações da trama até agora?

Marco Nanini - Uns dez... Há um cego, uma freira, um ex-pracinha da FAB (Força Aérea Brasileira). Tem também o mendigo, uma mulher da classe média que pede esmolas para um orfanato e até uma grávida!.

TITITI - E demora quanto tempo para fazer cada uma destas transformações?

Marco Nanini - Uma hora e meia, duas horas...Algumas um pouco mais, outras um pouco menos. É divertido fazer personagens dentro do personagem. O mais difícil de todos foi um senhor que inventava um baile para arrecadar fundos. Por sorte, a Deise Teixeira (figurinista da novela) é muito meticulosa e tudo fica perfeito com ela.

TITITI - Pancrácio não se sente mal por enganar as pessoas?

Marco Nanini - Apesar de ser tudo uma grande mentira, o Pancrácio faz esses tipos acreditando neles. Fica até triste quando não o levam a sério. Não pensa estar enganando alguém, mas se imagina ajudando os outros a se sentirem melhor por terem feito o bem. 

TITITI - Costuma estudar filosofia como seu personagem?

Marco Nanini - Não tenho uma grande intimidade, mas gosto de ler sobre o assunto, embora não seja um expert como o Pancrário.

TITITI - Como é fazer essa homenagem à obra do ator, comediante e dramaturgo Amácio Mazzaropi (1912-1981)? O Candinho, do Sergio Guizé, tem um pouco dele...  

Marco Nanini - Uma delícia! E, na verdade, a trama é inspirada em três obras. Uma delas é o filme do Mazzaropi (Candinho, de 1953). A outra é o livro O Comprador de Fazendas, do Monteiro Lobaro (falecido em 1948). E, por fim, o conto do Voltaire (escritor francês do século 18). Cândido ou O Otimismo, que é maravilhoso. Reli em uma tarde (risos).

TITITI - Como faz para conciliar as novelas e o seu centro cultural, o Galpão Gamboa,  no Rio?

Marco Manini - De administração, não entendo (risos). Tenho um sócio, o Fernando Libonatti, um grande produtor que conheço há anos.Juntos, bolamos essa ideia de um local que servisse como sala de ensaio. Mas o espaço, na zona portuária do Rio, era grande demais. Começamos devagar e agora oferecemos várias coisas para a comunidade.

TITITI - Sente-se realizado nessa empreitada?

Marco Nanini - Lá fiz tantos novos amigos, encontrei tanto ânimo...É um lugar importante para mim. Temos aulas de luta, por exemplo, ioga para a terceira idade, cursos de música para crianças, oficinas de teatro, de artes plásticas... descobri lá uma nova vida!

Por Daniel Vilela

Publicado na revista TITITI
Edição de 29/1/2016 n/n 907                                                
Marco Nanini 

Por Thomaz Rocha

Minha Novela
Edição de 5 de fevereiro de 2016 n/n 857
Eta Mundo Bom!  

TV Brasil n/n 833                                                                               

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