quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Homenagem A Carlos Romero - Ode A Carlos Romero

Carlos Romero

Por Maria das Graças Santiago

Ele encantou-se e virou estrela na hora mágica do entardecer deste último domingo. Saiu do plano terrestre e foi ter com o Pai celestial com quem mantinha uma relação sólida e benfazeja durante o tempo que esteve entre nós.Partiu como se tivesse ido para mais uma das tantas viagens que costumava fazer com o amado filho Germano e a minha querida amiga Alaurinda. Desta feita sua bagagem foi bem maior, mas, paradoxalmente , muito mais leve.Conduziu consigo um mundo de coisas boas que fez cá na terra. Levou as belas crônicas que escreveu e a evangelização permanente praticada através da escrita, da palavra e da ação.

Meu amigo Carlos Romero era um homem que sabia ouvir, coisa rara nos dias de hoje. Conseguia ouvir a faladas pessoas, o sussurro do mar, o farfalhar das árvores, o gorjeio dos pássaros, a voz da natureza. Mais do que ouvir, acho que ele conseguia conversar com toda a beleza existente no universo. Sabia como poucos escutara boa música e foi numa destas audições que encontrou e apaixonou-se por uma violinista da nossa orquestra sinfônica e que veio a ser a sua musa derradeira .Sendo um esteta, Carlos amava o belo, daí ter escolhido para participar da sua vida, Carmem, cuja formosura era incontestável e que lhe deixou como legado seus dois filhos e depois chegou Alaurinda, não menos bela e admirável, que também o amou e foi por ele amada tornando-se a inseparável companheira de todos os momentos, nominada como "boa dastra" pelo seu filho Germano modelo tangível de dedicação e amor pelo pai.Aliás, o amor foi a tônica da vida do meu amigo que espalhou este sentimento por onde passou com a serenidade, elegância e bom gosto que marcaram os seus dias.

Algumas pessoas conseguem imprimir em sua fácies o que lhe vai pela alma. Carlos foi um destes privilegiados. Era um homem iluminado, cuja presença transmitia doçura, companheirismo, retidão. Acredito que agora ele está pleno de paz, de luz e de alegria por ter realizado tanta coisa boa na sua passagem entre nós. Acredito, também,que ficamos mais pobres pela sua ausência física, todos nós que com ele convivemos e que usufruímos da sua sabedoria e da sua cultura tantas vezes demonstradas nos salões da Academia Paraibana de Letras que hoje veste luto pela sua expressiva e dolorosa falta.

Por Maria das Graças Santiago.
Da Academia Paraibana de Letras.

Publicado no jornal Correio da Paraíba
Edição de 09 de janeiro de 2019
Opinião
A6.

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