Carlos Romero
Por Josinaldo Malaquias
No limiar de 16 anos de idade migrei para João Pessoa para defender o pão. Inexistia uma alma para me defender. Novel fotógrafo, fui acolhido pelo sorriso simpático e acolhedor do Juiz de Direito, Professor Universitário e Escritor Carlos Romero. Carinhosamente batizou-me de "repórter", nome que cultivo até o seu falecimento, ocorrido no último domingo.
Carlos Romero foi o primeiro a acreditar na minha vocação para jornalista. Não tenho dúvida de que tinha plena consciência de me deixar imensamente feliz ao ser chamado de "repórter"Era uma alma pura!
A pureza da sua alma transpareceu no velório. Placidamente, Carlos Romero dormia. Por um mistério incompreensível aos sentidos humanos tive a impressão de ouvi-lo dizer: - Um momentinho, repórter! Deixa esse corpo material descansar um pouquinho.
Tive a certeza de que o Dr,Carlos não morreu e que seria muito egoísmo da minha parte, achar que tudo termina com a morte. Assim como a Geometria Analítica prova a existência de dimensões que não são captadas pelos nossos sentidos, percebo Carlos Romero noutra dimensão, muito mais feliz.
Encontrei o meu grande amigo, o eminente advogado Cleanto Gomes, cujas lágrimas molhavam o rosto. Quase dizia: - Deixe de agouro que Carlos Romero não morreu.
O que era um velório, pareceu transmutar-se numa misteriosa confraria. Só encontrei pessoas que amo e as admiro. Fiquei num círculo formado pelos professor Itapuan Boto Targino, o agora talentoso cineasta Mirabeau Dias, o oftalmologista Astênio Fernandes e Cleanto. Pareceu até que Carlos Romero nos reuniu.
Por Josinaldo Malaquias
Publicado no jornal Correio da Paraíba
Edição de 09 de janeiro de 2019
Comunicação
Caderno 2 C3

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