Carlos Romero
Foi através do livro: A Dança do Tempo, que eu conheci o escritor Carlos Romero, exímio cronista literário do Estado da Paraíba. Na oportunidade, tamanho foi o meu encantamento pelo cronicário de Carlos Romero, que o levei para as aulas que ministrava, e ainda o faço, na Universidade Federal de Campina Grande, o qual foi alvo de positiva recepção por parte dos alunos de Teoria da Literatura.
Mais tarde, tive o alegre privilégio de vê-lo na livraria Espaço da Cultura, radicada em Campina Grande na companhia inseparável do seu zeloso filho Germano Romero, ocasião preciosa para o entabulamento afetuoso do diálogo encurtador de distâncias e ratificador de uma terna e graça chamada amizade.Tal convívio ampliou-se e se consolidou no ambiente fraternal da Academia Paraibana de Letras, para a qual fui eleito no ano de dois mil e quinze, mercê de Deus e da consagradora confiança dos meus pares, os quais me escancararam as portas da Casa de Coriolano de Medeiros, e, ato contínuo me franquearam a cadeira de número trinta e cinco, por último ocupada pelo genial e imenso Ariano Vilar Suassuna.
Nessa inesquecível empreitada, Carlos Romero constituiu-se em estímulo cordial e acolhimento inspirador e fraterno. Homem sumamente culto e cosmopolita, que o digam as inúmeras viagens que realizou pelo mundo em suas multiplicadas geografias,Carlos Romero pontificava, sobretudo, pela simplicidade comportamental e pela cativante ihaneza do trato que dispensava aos que dele se aproximavam. Mas, foi no cultivo de gênero crônica matizado, ontologicamente, pelo hibridismo sígnico e contaminação poética, que Calos Romero revelou o seu superior e criativo talento para a criação literária, mostrando-se pródigo em recriar, transfiguradoramente, diria Antonio Cândido, " a vida ao rés do chão".
Telúrico e lírico, metalinguístico e lúcido;social e densamente humano em suas estéticas formulações, Carlos Romero, dignificou a crônica literária, magistralmente praticada em nosso Estado por um riquíssimo código onomástico. Parte o homem, fica o imperecível legado que ele deixou.
José Mário da Silva
Da APL/ALCG
Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 20 de janeiro de 2019
Opinião.

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