quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Doenças do coração podem ter sintomas precoces como dor de estômago e cansaço


Doenças do coração podem ter sintomas precoces como dor de estômago e cansaço

Novo estudo da Associação Americana do Coração lista uma série de sinais que problemas cardiovasculares costumam apresentar antes de se tornarem graves

Uma nova declaração científica da Associação Americana do Coração, publicada nesta quinta-feira (18), lista os sintomas mais comuns de seis doenças cardiovasculares e como eles podem variar entre homens e mulheres ao longo do tempo.

Doenças cardiovasculares são a principal causa de mortes em todo o mundo e envolvem um grupo de condições: 

ataque cardíaco, 

insuficiência cardíaca, 

doença valvular, 

acidente vascular cerebral, 

distúrbios do ritmo cardíaco e doença arterial periférica.

“Algumas pessoas podem não considerar sintomas como fadiga, distúrbios do sono, ganho de peso e depressão como importantes ou relacionados a doenças cardiovasculares. No entanto, pesquisas indicam que sintomas sutis como esses podem prever eventos agudos e a necessidade de hospitalização", afirma em comunicado a professora Corrine Y. Jurgens, presidente do comitê de redação da declaração científica.

Sintomas mais frequentes de doença cardiovascular costumam ser dor no peito, formigamento nos braços e suor frio, por exemplo. Entretanto, há outros que podem passar despercebidos, especialmente quando o quadro é inicial.

Ataque do coração

O ataque do coração, também descrito como síndrome coronariana aguda, que inclui o infarto agudo do miocárdio, é a perda súbita do fluxo sanguíneo para o coração, que ocorre normalmente por causa de placas de gordura nas artérias ou formação de coágulos.

Segundo o estudo, a dor no peito caracteriza essa condição. Ela é "frequentemente descrita como pressão ou desconforto e pode irradiar para a mandíbula, ombro, braço ou parte superior das costas".

Falta de ar, sudorese ou suor frio, cansaço incomum, náusea e tontura costumam ocorrer durante um ataque cardíaco.

As mulheres costumam relatar mais sintomas – além da dor no peito – do que os homens, de acordo com o comunicado.

Insuficiência cardíaca

Quando o coração de um indivíduo não consegue bombear o sangue necessário para todas as partes do corpo, ele sofre de insuficiência cardíaca. A falta de ar é o principal motivo que leva os pacientes a procurar atendimento médico

Essa é uma doença que tem uma série de outros sintomas que podem passar despercebidos. São eles:

dor de estômago, 

náuseas, 

vômitos e perda de apetite;

cansaço; 

intolerância ao exercício (relacionada à fadiga e falta de ar);

insônia; 

dor (no peito e outras); 

distúrbios do humor (principalmente depressão e ansiedade); e disfunção cognitiva (névoa cerebral, problemas de memória).

"Na insuficiência cardíaca, as mulheres relatam náuseas, palpitações e alterações digestivas, além de níveis mais intensos de dor (em outras áreas do corpo, não apenas no peito), inchaço e sudorese", diz o relatório.

Doença da válvula cardíaca

A doença da válvula cardíaca está associada à insuficiência cardíaca e tem também como sintoma em comum a falta de ar.

Nesse quadro, o problema é no controle do fluxo sanguíneo do coração. 

Em casos leves, os pacientes podem não apresentar sintomas por anos e, posteriormente, ter sinais semelhantes aos da insuficiência. Porém, essa doença pode causar ainda hipertensão pulmonar.

Acidente vascular cerebral

Também conhecido como derrame, o AVC (acidente vascular cerebral) ocorre quando há bloqueio ou rompimento de um vaso sanguíneo que supre o cérebro.

Os principais sintomas de um AVC são paralisia em um lado do rosto, fraqueza em um dos braços e dificuldade para falar.

Os pacientes também podem apresentar confusão, tontura, perda de coordenação ou equilíbrio e alterações visuais.

Pessoas com suspeita de AVC precisam ser levadas imediatamente para o hospital. Nesses casos, mais tempo significa mais risco de morte ou de sequelas.

Arritmias

Pacientes com distúrbios do ritmo cardíaco costumam relatar palpitações ou sensação de batimentos acelerados.

Mas também podem ocorrer cansaço, falta de ar e tontura, comuns a outros quadros de doenças cardiovasculares.

"Menos comumente, dor no peito, tontura, desmaio ou quase desmaio e ansiedade podem ocorrer em algumas pessoas com distúrbios do ritmo cardíaco", afirmam os autores do estudo.

Doença arterial periférica e doença venosa periférica

Indivíduos com doença arterial periférica têm o fornecimento de sangue para as pernas afetado. Pode não haver sintomas, mas, quando há, geralmente é relatada uma dor nos músculos da panturrilha durante caminhada (e que desaparece com o repouso).

Já a doença venosa periférica tem características parecidas, mas somam-se, além da dor, cansaço, cãibras, síndrome das pernas inquietas e irritação de pele.

Infarto pode passar despercebido em mulheres; menopausa preocupa

O infarto na mulher possui características diferentes em relação ao infarto no homem. Segundo o cardiologista Marcelo Sampaio, da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, no caso da mulher as dores podem ter outra intensidade, irradiação e outros sintomas atípicos, como fraqueza e tontura. Por conta da diferença dos sintomas, a mulher demoraria mais tempo a procurar o pronto-socorro, quando comparada ao homem

Sampaio afirma que entre os sintomas que a mulher pode apresentar durante um infarto estão a ocorrência de náuseas, vômitos, palpitação, desmaios, suores frios, cansaço, fraqueza, tontura, além dos sintomas clássicos, como a dor no peito que irradia para o braço, falta de ar, dores na região cervical, dores nas costas e até mesmo na mandíbula. O cardiologista explica que, de maneira geral, esses sintomas ocorrem na mulher em uma idade superior a do homem, geralmente acima dos 55 anos, e a percepção dos alertas costuma ser menor.


Além da idade, a dificuldade na percepção dos sinais se dá por conta da diferença de características anatômicas da mulher, como as artérias, que têm um diâmetro menor que as dos homens, e pela questão hormonal. Segundo o cardiologista, quando a mulher entra na menopausa, ela perde a proteção do estrogênio, hormônio feminino que estimula a vasodilatação, aumentando a propensão ao infarto



Sampaio afirma que mulheres que façam o uso de pílulas anticoncepcionais também apresentam um risco maior de ter um infarto. Isso porque a pílula aumenta os casos de trombose e estimula a produção de coágulos na artérias coronárias, além de aumentar a pressão arterial feminina, que é um fator de risco para a ocorrência de um infarto. De acordo com o cardiologista, a maioria das mulheres jovens que usam a pílula contraceptiva são aquelas que apresentam a ocorrência de infarto


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O cardiologista explica que outros fatores de risco aumentam a incidência de infarto em mulheres jovens,

como o tabagismo, 

óprio sentimento de medo libera substâncias que podem fechar as artérias. 

Outros fatores, 

como depressão, 

ansiedade, 

pressão alta, 

diabetes do tipo 2, 

colesterol, 

sedentarismo e histórico familiar são também fatores de risco para o infarto


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Sampaio afirma que, caso a mulher perceba algum sintoma e ele não passe em 20 minutos, ela deve procurar o atendimento médico o mais rápido possível. Ao chegar no hospital, a suspeita de infarto deve ser comunicada para que o tratamento seja preferencial e o atendimento mais rápido. Segundo o médico, hoje os hospitais têm protocolos para o reconhecimento rápido de um infarto, devendo encaminhar o paciente a um pronto-socorro dentro de cinco minutos e solicitar um exame de eletrocardiograma

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Identificado o problema, os médicos solicitam os exames de eletrocardiograma e exames de sangue, que são capazes de detectar se as enzimas cardíacas estão elevadas, diagnosticando o infarto. Após a confirmação do diagnóstico, o paciente é encaminhado para uma cirurgia de cateterismo, identificando o local da artéria que está fechado e desobstruindo-o. Pode ser necessário também que o paciente seja submetido a uma cirurgia de ponte de safena, quando há mais de uma obstrução nas artérias. Após os procedimentos, o paciente é encaminhado para a UTI por dois dias, e depois segue para o quarto


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Após a recuperação hospitalar, o tratamento passa a ser feito com medicamentos para afinar o sangue, vasodilatadores e medicamentos que abaixam os níveis de colesterol. É feita também a reabilitação daquele paciente, tanto física, quanto socialmente, reinserindo-o ao ambiente de trabalho, por exemplo


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Para prevenir o infarto, a mulher deve ter uma dieta equilibrada, reduzir o peso, no caso de obesidade, controlar diabetes e colesterol, parar de fumar, procurar hábitos que ajudem a diminuir o estresse e praticar exercícios. Sampaio afirma que realizar uma caminhada diária, com duração de 30 minutos a uma hora, já é suficiente para ajudar a prevenir o infarto

*Estagiária do R7 sob supervisão de Freepik

NotíciasR7.com.br

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