O que é refluxo?
O refluxo gastroesofágico consiste no retorno do conteúdo gástrico, sejam gases, líquidos ou sólidos, para o esôfago.
De acordo com a gastroenterologista, o refluxo pode ocorrer em alguns momentos do dia sem que isso caracterize a doença, principalmente no período após as refeições e em recém-nascidos.
A doença, que afeta crianças e adultos, é um dos motivos mais frequentes que levam o paciente ao consultório de um gastroenterologista, como explica a médica. “Por ser uma doença crônica, limita bastante a qualidade de vida e pode interferir nas atividades diárias do indivíduo”, completa.
Já a condição fisiológica, como anteriormente citada, é considerada normal pela vulnerabilidade dos tecidos dos bebês. O problema desaparece espontaneamente na maioria dos casos.
Quais os sintomas do refluxo?
Dra. Mara relata que os sintomas mais comuns são a sensação de queimação no peito e regurgitação, ou seja, o retorno de alimentos na boca. Porém, há outros sinais que precisam ser analisados, como:
Dor no peito;
Tosse crônica;
Vômitos intensos;
Dificuldade de ganho de peso e estatura na infância;
Pneumonia.
Outras doenças podem apresentar os mesmos sintomas. “A principal é a pirose funcional, “em que há uma alteração na sensibilidade do esôfago ou uma alteração na comunicação do eixo cérebro-esôfago, sem uma exposição ácida aumentada”, argumenta.
A avaliação de um médico é essencial para a diferenciação de tais sintomas em comum.
Quais as causas?
Há vários fatores que podem estar envolvidos.
Um dos principais é o sobrepeso ou obesidade.
“Estudos revelam que uma perda de peso em torno de 5% pode melhorar os sintomas e a inflamação”, explica a especialista.
A alimentação também é um agente causador do refluxo.
Alimentos ricos em cafeína, gordurosos, bebidas alcoólicas e gaseificadas, além do cigarro, podem ser agravantes.
Outros hábitos relacionados à alimentação são motivo de alerta, como deitar após se alimentar e ingerir líquidos durante as refeições.
Como tratar?
O tratamento do refluxo gastroesofágico é baseado em alterações comportamentais.
Veja quais são:
Perda de peso;
Evitar alimentos que predispõem ao refluxo;
Fracionar a dieta (menores quantidades em intervalos menores);
Evitar ingerir líquidos com as refeições;
Evitar deitar de 2 a 3 horas após uma refeição.
Alguns pacientes podem necessitar de medicamentos que diminuam a acidez do estômago e, em casos mais graves ou que haja contraindicação do uso desses medicamentos, pode optar-se por cirurgia.
A gastroenterologista menciona outras formas de tratamento ainda em estudo.
“Pesquisas recentes têm mostrado novas opções de tratamento por endoscopia, porém mais estudos ainda precisam ser realizados”, pondera.
Quanto à medicação e a possibilidade de cirurgia, a dra. Mara esclarece que somente um médico poderá fazer alterações na dose do medicamento ou encaminhar o paciente para cirurgia.
“Em algumas situações pode ser necessário fazer terapia de manutenção por toda a vida, mas felizmente os medicamentos atuais são muito bem tolerados e seguros”, completa.
Sobre o autor: Caio Coutinho é estudante de jornalismo na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e colaborador no Portal Drauzio Varella. Além do gosto por música, também tem interesse em temas de saúde mental e saúde da criança.
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