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Estadão Conteúdo
Atualizado em03/12/24 - 07h34min
Foto: Divulgação
Tieta’ no Vale a Pena Ver de Novo: relembre a história, polêmicas e personagens
A novela Tieta, exibida originalmente pela Globo em 1989, está de volta às telinhas no Vale a Pena Ver de Novo. Baseada na obra de Jorge Amado, a adaptação de Aguinaldo Silva para a TV fez história na teledramaturgia brasileira.
Como no livro de Jorge Amado, a novela é ambientada em Santana do Agreste, cidade fictícia localizada no Nordeste brasileiro. Já nos primeiros capítulos, Tieta, nesta fase interpretada por Claudia Ohana, é expulsa da cidade por seu pai, Zé Esteves (Sebastião Vasconcelos).
A jovem Tieta segue para São Paulo, onde faz a vida. Da capital paulista, manda cheques mensalmente, sem nunca falhar. Quando o cheque não chega, a família suspeita que Tieta tenha morrido. Justo no dia em que a sua irmã, a vilã Perpétua (Joana Fomm), encomenda uma missa, Tieta chega de surpresa e com um plano de vingança em curso.
Trama de Tieta era cheia de polêmicas
Em 1989, quando Tieta foi ao ar pela primeira vez, o Brasil vivia novos ares. A ditadura militar tinha terminado, a Constituição de 1988 estava recém-promulgada e, o brasileiro se preparava para votar para presidente pela primeira vez desde o golpe militar de 1964.
A novela era a antítese da caretice dos anos de chumbo. A abertura trazia a modelo Isadora Ribeiro nua e a história era recheada de tabus, desde o amor vivido por Tieta e seu sobrinho, Ricardo, até o coronel Artur da Tapitanga (Ary Fontoura), que seduzia garotas menores de idade e as transformava em suas “rolinhas”.
A Globo se adiantou dizendo que, para a reexibição na faixa vespertina, fez pequenas edições, incluindo na vinheta de abertura.
Adaptações para a novela
Ao adaptar o texto original para a televisão, Aguinaldo Silva fez algumas mudanças na obra de Jorge Amado. Entre as diferenças entre o livro e a novela foi a criação de novos personagens e a ampliação do papel de outros. Arturzinho, interpretado por Marcos Paulo, nem sequer existia na obra original, mas ganhou destaque na trama televisiva.
Aguinaldo Silva também deu mais importância a personagens como Juracy e Amorzinho, que tinham papéis menores no livro. Além disso, o autor criou um triângulo amoroso entre Carol, Modesto Pires e Aída, inexistente na obra de Jorge Amado.
Rixa entre Betty Faria e Sonia Braga
Outro ponto marcante na história dos bastidores da novela foi a rivalidade entre Betty Faria e Sonia Braga, atriz que já tinha interpretado outras personagens de Jorge Amado. Quando a novela foi ao ar, Sonia já tinha os direitos para interpretar Tieta no cinema. A atriz afirmou que ficou surpresa ao saber que Betty faria o papel na TV, mas garantiu que não assistiu à novela para manter sua interpretação original no filme. O filme com Sonia Braga só ganhou as telas em 1996, sete anos depois de a novela ir ao ar.
Uma década depois, em 2016, Betty Faria expressou sua indignação com a situação em uma entrevista à revista Época. A atriz afirmou que Sonia Braga não pediu licença para ser Tieta no cinema e que isso foi “péssimo”, ressaltando que as duas não são amigas.
Curiosamente, antes de Betty e Sonia, a atriz italiana Sophia Loren quase interpretou Tieta no cinema. A cineasta Lina Wertmüller chegou a se encontrar com Jorge Amado para discutir uma adaptação, mas o projeto não foi adiante, provavelmente por questões financeiras.
Na manhã desta segunda-feira, Betty Faria participou do programa Encontro. Ao ser questionada por Patricia Poeta o que significou Tieta em sua vida, a atriz respondeu que a personagem foi uma espécie de renovação.
“Ela chegou para mim em uma idade muito importante. Eu estava com quarenta e poucos anos, na pré-menopausa. Ela significou para mim, pessoalmente, sem falar na carreira, uma tomada de consciência da idade, do (meu) físico, da alimentação. Eu quis me preparar para viver a Tieta. Eu parei com as aulas de dança e fui fazer musculação e tratei melhor da alimentação”, relembrou a atriz.
Relembre os principais personagens de Tieta
Tieta: protagonista da trama, interpretada por Betty Faria. Aos 18 anos, é expulsa de Santana do Agreste por seu pai. Retorna 25 anos depois, rica e decidida a se vingar de toda a hipocrisia da cidade.
Perpétua: irmã mais velha de Tieta e principal antagonista, vivida por Joana Fomm. Tieta foi expulsa da cidade por seu pai depois de uma denúncia feita por Perpétua. É a mãe de Ricardo. A personagem ganhou grande destaque na novela, sendo considerada uma das vilãs mais marcantes da teledramaturgia brasileira.
Ricardo: o personagem vivido por Cássio Gabus Mendes se torna seminarista depois de uma promessa feita por sua mãe, Perpétua. Na trama, ele é seduzido pela tia, como parte do plano de vingança de Tieta.
Tonha: madrasta e fiel escudeira de Tieta, Tonha é interpretada por Yoná Magalhães. A personagem vive um arco dramático importante na trama, deixando aos poucos o seu papel de submissa ao marido a uma “nova mulher”.
Redação Mix Vale
em 8 de janeiro de 2025
A novela “Tieta”, exibida pela primeira vez entre 1989 e 1990, permanece como um marco da teledramaturgia brasileira. Baseada no romance de Jorge Amado, a trama abordou questões sociais, políticas e culturais, enquanto acompanhava o retorno triunfal de Tieta a Santana do Agreste, após ter sido expulsa da cidade pelo próprio pai. Com personagens inesquecíveis, o elenco reunia grandes nomes da TV brasileira, muitos dos quais já faleceram, deixando saudade e um legado artístico que
O sucesso da novela foi impulsionado pela força de seu elenco e pelos dramas universais que ressoaram entre os telespectadores. Entre humor, críticas sociais e momentos emocionantes, os personagens ganharam vida nas interpretações de artistas de diferentes gerações. Passados mais de 30 anos, é inevitável recordar os atores que marcaram essa produção e que não estão mais entre nós.
A seguir, revisitamos suas histórias, performances marcantes e as contribuições de cada um para o enredo de “Tieta”. Cada nome mencionado aqui construiu parte da história da TV brasileira e, em muitos casos, refletiu a essência de sua época.
Yoná Magalhães: Tonha e a força da transformação

Yoná Magalhães interpretou Tonha, a segunda esposa de Zé Esteves e madrasta de Tieta. Sua personagem representava uma mulher submissa que, ao longo da trama, passou por um processo de libertação e empoderamento. A atriz, com uma carreira repleta de papéis icônicos, faleceu em outubro de 2015, aos 80 anos, no Rio de Janeiro, devido a complicações cardíacas. Seu talento e carisma a tornaram uma das atrizes mais respeitadas da televisão.
Elias Gleizer: o carisma de Jairo

Elias Gleizer trouxe leveza e humor ao papel de Jairo, dono da marinete que transportava os moradores de Santana do Agreste. Seu personagem era uma figura querida, sempre presente no cotidiano da cidade fictícia. Gleizer faleceu em maio de 2015, aos 81 anos, após complicações de uma queda que levaram a uma broncopneumonia. Sua trajetória artística é lembrada pela capacidade de conquistar o público com interpretações singelas e cativantes.
Sebastião Vasconcellos: a intensidade de Zé Esteves

Zé Esteves, o severo pai de Tieta, foi interpretado por Sebastião Vasconcellos. Sua atuação trouxe à tona a complexidade de um homem rígido e contraditório, que protagonizou um dos momentos mais dramáticos da novela ao expulsar a filha de casa. Vasconcellos faleceu em julho de 2013, aos 86 anos, vítima de choque séptico e parada cardiorrespiratória. Sua contribuição para o teatro, cinema e televisão é amplamente reconhecida.
Miriam Pires: o mistério de Dona Milu

Dona Milu, conhecida por seu famoso bordão “Mistééééério”, foi vivida por Miriam Pires, que adicionou um toque de magia e humor à trama. A personagem, com sua aura enigmática, se tornou uma das favoritas do público. Miriam faleceu em setembro de 2004, aos 77 anos, em decorrência de complicações de toxoplasmose. Sua habilidade em interpretar figuras carismáticas a consolidou como uma atriz inesquecível.
Armando Bógus: o poder de Modesto Pires

Armando Bógus interpretou Modesto Pires, o homem mais rico de Santana do Agreste, envolvido em um triângulo amoroso que movimentava a trama. O ator faleceu em maio de 1993, aos 63 anos, vítima de leucemia. Além de “Tieta”, Bógus deixou um legado em diversas produções televisivas, sendo celebrado pela intensidade de suas atuações.
Cláudio Corrêa e Castro: a profundidade do Padre Mariano

O Padre Mariano, vivido por Cláudio Corrêa e Castro, era uma figura religiosa que trazia reflexões sobre moralidade e fé para o enredo. Corrêa e Castro faleceu em agosto de 2005, aos 77 anos, devido a falência múltipla de órgãos após uma cirurgia cardíaca. Reconhecido por sua versatilidade, ele foi um dos grandes nomes do teatro e da televisão.
Marcos Paulo: Arturzinho e os mistérios do vilão
Marcos Paulo deu vida a Arturzinho, também conhecido como Mirko, um personagem de dupla identidade que trouxe reviravoltas à história. O ator e diretor faleceu em novembro de 2012, aos 61 anos, vítima de embolia pulmonar. Sua contribuição para a TV brasileira vai além da atuação, com trabalhos notáveis também na direção de novelas.
Françoise Forton: a força de Helena

Helena, interpretada por Françoise Forton, era uma mulher determinada que protagonizava conflitos emocionantes na trama. A atriz faleceu em janeiro de 2022, aos 64 anos, após uma longa batalha contra o câncer. Sua carreira incluiu papéis emblemáticos em diversas produções, sempre demonstrando talento e paixão pela arte.
Renato Consorte: a energia de Chalita

Renato Consorte deu vida a Chalita, o dono da Casa de Chá, conhecido por seu temperamento explosivo. O ator faleceu em janeiro de 2009, aos 84 anos, em decorrência de câncer de próstata. Sua presença em “Tieta” contribuiu para momentos de humor e tensão, refletindo sua versatilidade como ator.
Cláudia Magno: a juventude interrompida de Silvana
Cláudia Magno interpretou Silvana, uma jovem que enfrentava dilemas amorosos e familiares. Sua carreira promissora foi interrompida em janeiro de 1994, quando faleceu aos 35 anos devido a insuficiência respiratória aguda. Apesar da curta trajetória, deixou uma marca significativa na dramaturgia brasileira.
José Lewgoy: a experiência de Leovigildo
José Lewgoy trouxe sua vasta experiência ao personagem Leovigildo, contribuindo para o sucesso da novela com sua presença marcante. O ator faleceu em fevereiro de 2003, aos 82 anos, devido a problemas cardíacos. Sua carreira inclui uma longa lista de papéis memoráveis no cinema e na televisão.
Rogéria: o brilho de Ninete
Rogéria, ícone da cultura brasileira, deu vida à personagem Ninete em “Tieta”. Sua atuação encantou o público, destacando-se pela autenticidade e carisma. A atriz faleceu em setembro de 2017, aos 74 anos, após complicações de uma infecção generalizada. Sua trajetória é lembrada pela coragem e pioneirismo no cenário artístico.
Destaques das contribuições artísticasYoná Magalhães trouxe profundidade ao papel de Tonha, destacando temas de emancipação feminina.
Miriam Pires marcou com seu bordão icônico, tornando Dona Milu um dos símbolos de “Tieta”.
Armando Bógus e Cláudio Corrêa e Castro exploraram temas de poder e moralidade com intensidade dramática.
A herança de “Tieta”
A novela “Tieta” não apenas consolidou a carreira de muitos desses atores, mas também levantou debates sociais relevantes para a época. Temas como desigualdade, hipocrisia e o papel da mulher foram abordados com ousadia, refletindo os desafios e transformações do Brasil nos anos 80.
Por Redação Mix Vale
A novela “Tieta”, exibida originalmente em 1989 e atualmente reprisada no “Vale a Pena Ver de Novo”, continua sendo um marco na história da televisão brasileira. Escrita por Aguinaldo Silva, Ricardo Linhares e Ana Maria Moretzsohn, a trama é baseada no romance “Tieta do Agreste”, de Jorge Amado, e aborda temas como hipocrisia, moralidade e os contrastes sociais no sertão nordestino. O grande destaque da novela foi o mistério em torno da enigmática caixa branca guardada por Perpétua, personagem icônica interpretada por Joana Fomm.
O capítulo exibido em 13 de dezembro de 2024 trouxe novos desdobramentos à trama. Timóteo enfrentou uma crise financeira, enquanto Aída revelou que Perpétua detinha informações importantes sobre Carol, mas foi impedida de falar pelo padre. Ricardo, por sua vez, viveu intensos conflitos internos devido a sonhos perturbadores, o que o levou a atos de penitência. A cena mais esperada ocorreu quando Modesto visitou Perpétua, insinuando-se curioso sobre a misteriosa caixa branca que ela guardava com tanto zelo.
A caixa branca de Perpétua, mantida trancada em seu armário, foi desde o início da trama um símbolo de curiosidade e segredo. A revelação do conteúdo da caixa foi guardada até o último capítulo, quando Tieta a abriu diante de todos os moradores de Santana do Agreste. Embora a cena não mostrasse explicitamente o que estava dentro, as reações de choque dos personagens indicaram que a caixa continha o órgão genital do falecido marido de Perpétua, o major. Essa descoberta trouxe uma reviravolta que impactou profundamente a narrativa e evidenciou a hipocrisia da personagem.
A complexidade de Perpétua, uma mulher beata e moralista, sempre foi um dos principais atrativos da novela. Sua postura rígida e seus discursos sobre moralidade contrastavam com seus próprios segredos. Guardar um artefato tão incomum simbolizava sua incapacidade de lidar com o passado e suas frustrações pessoais. O público ficou dividido entre o horror e a compreensão da profundidade psicológica da personagem.
A repercussão da cena final foi imensa, tanto na época da exibição original quanto na reprise. Redes sociais foram tomadas por comentários nostálgicos e discussões sobre o simbolismo da caixa. Novos telespectadores descobriram um enredo repleto de camadas e críticas sociais que ainda se mantêm relevantes nos dias atuais.
Impacto cultural e legado de Tieta na teledramaturgia
“Tieta” deixou um legado duradouro na teledramaturgia brasileira. A novela é lembrada não apenas pelo seu enredo envolvente, mas também pelos temas ousados para a época. Questões como repressão sexual, autoritarismo familiar e os contrastes entre modernidade e tradição foram abordadas de forma inovadora e artística.
A ambientação na fictícia Santana do Agreste trouxe autenticidade à história. Os cenários rústicos e os figurinos marcantes ajudaram a transportar os espectadores para o sertão nordestino, tornando cada capítulo uma experiência visual única.
Personagens inesquecíveis que marcaram gerações
“Tieta” foi povoada por personagens cativantes e memoráveis:
Tieta (Betty Faria):
a protagonista que retorna à cidade natal rica e poderosa, enfrentando o preconceito e se vingando dos que a humilharam.
Perpétua (Joana Fomm):
a beata moralista e vilã, dona da infame caixa branca.
Zé Esteves (Sebastião Vasconcelos):
o pai autoritário de Tieta.
Osnar (José Mayer):
o boêmio encantador.
Carmosina (Arlete Salles):
a fofoqueira oficial da cidade.
Ascânio (Reginaldo Faria):
o idealista sonhador.
Modesto Pires (Armando Bógus):
envolvido em tramas políticas e financeiras.
Esses personagens contribuíram para a complexidade da novela e sua popularidade duradoura.
A trilha sonora como elemento narrativo
Outro ponto de destaque foi a trilha sonora icônica, com músicas que capturavam a essência do sertão e das emoções dos personagens:“Tieta” (Luiz Caldas): canção-tema animada e contagiante.
“A Luz de Tieta” (Caetano Veloso): música emblemática e nostálgica.
“Este Mundo É Meu” (Paulinho da Viola): hino de resistência e esperança.
Essas músicas se tornaram parte da memória coletiva, sendo lembradas até hoje por fãs da novela.
A crítica social e os temas universais
“Tieta” foi além de um simples folhetim. A novela apresentou uma crítica ácida à sociedade patriarcal e às estruturas de poder. Os conflitos entre tradição e modernidade foram explorados de maneira corajosa e inteligente.
O contraste entre a cidade pequena, presa a valores antiquados, e a figura de Tieta, símbolo de liberdade e emancipação feminina, evidenciava as tensões sociais que permeiam até hoje o Brasil.
Repercussão nas redes sociais e impacto contemporâneo
Com a reprise de “Tieta”, as redes sociais foram inundadas por reações emocionadas de fãs antigos e novos telespectadores. A hashtag #Tieta foi uma das mais comentadas durante a exibição de episódios emblemáticos.
Interações mais frequentes:
Twitter:
debates sobre a moralidade dos personagens.
Instagram:
publicações nostálgicas com imagens de cenas icônicas.
YouTube:
vídeos de momentos marcantes.
O alcance nas redes sociais garantiu à novela uma relevância renovada, apresentando a história a novas gerações.
Curiosidades sobre a produção e bastidoresInspiração literária: a novela foi baseada na obra “Tieta do Agreste”, de Jorge Amado.
Filmagens no Nordeste:
cenas externas foram gravadas em locações reais no sertão.
Polêmicas e censura:
algumas cenas foram editadas devido ao conteúdo considerado ousado para a época.
Considerações finais
Com um enredo complexo e atemporal, “Tieta” permanece como uma das mais celebradas novelas brasileiras. Sua narrativa profunda e seus personagens multifacetados continuam a conquistar novos públicos e a ocupar um lugar especial na memória afetiva dos fãs.




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