quinta-feira, 8 de maio de 2025

Havia um velho cão que, certo dia, saiu para perseguir borboletas.










Creza Sacardo Carlos Drummond de Andrade

Havia um velho cão que, certo dia, saiu para perseguir borboletas.

Não tinha pressa, nem destino.

Queria apenas sentir, mais uma vez, a vida entre suas patas.

Mas, de distração em distração, acabou se perdendo.

E, para piorar, uma jovem onça — faminta e veloz — começou a se aproximar.

O cão, ao notar o perigo, não correu.

Já não tinha forças para isso.

Mas tinha algo muito mais valioso: sabedoria.

Calmamente, sentou-se de costas para a onça, encontrou alguns ossos no chão e começou a mordiscá-los.

Em voz alta, disse:

— Hmm... essa onça que acabei de comer estava deliciosa. Será que tem mais por aqui?

A jovem predadora parou no ato.

Arregalou os olhos, assustada.

E fugiu.

Não foi a força que salvou o velho cão.

Foi a sua inteligência.

Mas a história não termina aí.

Lá do alto de uma árvore, um macaco viu tudo.

E, querendo agradar a onça em troca de proteção, correu atrás dela para contar a verdade.

O cão, atento, viu os dois voltarem — a onça furiosa e o macaco montado em suas costas.

Mais uma vez, manteve a calma.

Sentou-se de costas e murmurou em voz alta:

— Onde está o macaco? Mandei-o buscar outra onça e até agora não voltou...

A onça travou na hora.

Virou o rosto devagar e olhou para o macaco, que estava montado em suas costas.

E, dessa vez, quem saiu correndo... foi o macaco.

Moral da história:

A vida nem sempre favorece o mais rápido.

Nem sempre vence o mais forte.

Às vezes, vence aquele que sabe esperar, observar… e agir com sabedoria.

A idade não tira o seu poder.

Ela te ensina a usá-lo melhor.

Texto e Adaptação Rick Oli Reflexões

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