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Minha vida com animais
"Todas as manhãs, ela se forçava a sair da cama, arrastava o corpo por entre tarefas intermináveis, e à noite desabava de cansaço — sem sequer perceber que mais um dia tinha passado. Já fazia tempo que ela havia esquecido como era realmente estar viva — sentir inspiração, alegria e força.
Mas, num dia quente de verão, algo estranho aconteceu:
sua Sombra… afastou-se dela.
Aconteceu no exato momento em que mais uma vez algo “urgente”, “inadiável” e “importantíssimo” precisava ser feito. Porque “quem não trabalha, não come”, “adiar é perder”… E naquele instante, algo dentro dela se rompeu.
A Sombra deu alguns passos para trás e deixou sua dona curvada numa cadeira de escritório gasta.
— Não me abandone… — sussurrou a mulher. — Sem você, eu desapareço…
— Talvez seja necessário, — respondeu a Sombra com calma. — Eu sou sua Guardiã da Energia. Mas você drenou todas as minhas reservas. Pense: por que se deixou chegar a esse ponto?
— Eu não sei… preciso de você… por favor, me ajude…
A Sombra a observou em silêncio e, então, disse devagar:
— Está bem. Mas apenas se você passar por três provações. Só assim poderá quebrar o feitiço do esgotamento.
— Eu aceito, — respondeu a mulher, esperançosa.
— A primeira prova: sinta os seus ombros. O que você sente?
— Doem… estão pesados… — murmurou ela.
— Liberte-se do peso que não é seu. Devolva a cada um o que lhe pertence: à amiga, seus problemas; ao marido, suas responsabilidades; aos filhos, suas tarefas. Carregue apenas o que é seu. O resto — devolva.
A clareza doeu. Durante anos ela carregou não apenas o próprio fardo, mas também as angústias, esperanças e “você tem que” dos outros. Mas agora, com os olhos fechados, visualizou cada rosto e, mentalmente, devolveu suas cargas.
Naquele exato instante, o telefone tocou. Vozes do passado exigiam de novo sua atenção, energia e presença.
— E agora? — perguntou ela, aflita, à Sombra. — Eles querem algo de novo…
— Segunda prova: aprenda a dizer “não”. Com clareza. Sem explicações. Sem culpa.
Foi difícil. Mas ela conseguiu. Pela primeira vez na vida, disse com firmeza, sem raiva, mas com convicção: “Não.” Porque ela tem esse direito. Porque chegou a hora de viver por si mesma.
— E a última prova, — disse a Sombra, — é a mais difícil de todas: Descanse. E enfrente o maior inimigo — a Culpa.
Foi aí que a verdadeira batalha começou. A Culpa falava com vozes familiares:
— Deitada? E quem vai fazer o almoço?
— O que você fez para estar cansada?
— Na nossa família, nenhuma mulher ficava parada…
Mas de repente, do fundo do coração, uma voz rompeu:
— Eu tenho direito ao descanso! Não vou mais me destruir. Até a Terra tem dia e noite. Eu sou humana, não uma máquina. A partir de agora, viverei com amor — não com exaustão.
E então — silêncio. A Culpa desapareceu.
E a Mulher Cansada… renasceu — agora como uma Mulher Descansada.
A energia voltou. A alegria. O calor. O amor-próprio. E a Luz Clara da Esperança.
Porque às vezes, só precisamos de uma coisa — permitir-nos viver.
Simplesmente viver.
Simplesmente ser.
E a cada mulher que um dia se esqueceu de si mesma — este texto é para você. Com amor."
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