A vida tem-me afastado de tanta gente,
como se cada estação levasse um nome, um abraço, um riso.
Há dias em que me sento no meio do que ficou
e me pergunto: quem há de ficar quando o vento varrer tudo?
E lá no fundo, num canto onde mora o que é eterno, uma voz sussurra, quente como colo:
Fica quem é raiz na terra dos teus silêncios,
quem conhece a língua das tuas cicatrizes,
quem se deita contigo no chão do medo
e faz do teu peito a casa que não desaba.
Fica quem é lume quando o inverno é longo,
quem te vela o sono sem pedir nada,
quem recolhe teus pedaços e, um a um, os beija de volta.
Fica quem fica mesmo quando não pedes,
mesmo quando foges de ti,
mesmo quando o mundo inteiro se vai.
Fica. Fica perto.
Sê perto. Sê porto.
Porque o amor que é amor não sabe partir.
(Carlos Cabrita_escritor)

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