quinta-feira, 10 de julho de 2025

Um dia, um menino foi para a escola pela primeira vez



Mala d'estórias

"Um dia, um menino foi para a escola pela primeira vez . 

Era ainda muito pequeno, e a escola era muito grande. 

Porém, quando o menino descobriu que podia chegar à sua sala entrando diretamente pela porta do pátio, ficou contente. E a escola até já não lhe parecia tão grande.

Numa manhã, já o menino estava na escola há algum tempo, a professora comunicou:

-- Hoje, vamos fazer um desenho.

Ele gostava de desenhar. Sabia fazer desenhos de todos os tipos: leões, e tigres, galinhas e vacas, comboios, navios...

Pegou sua caixa de lápis de cor e começou a desenhar.

Mas a professora disse:

- Esperem! Não é para começar ainda.

Temos de esperar que todos os meninos estejam prontos para começar a desenhar!

Todos esperaram até ouvirem a professora dizer:

- Podem começar. Vão desenhar flores!

- Boa! pensou o menino. Gostava de desenhar flores. E começou a fazer magníficas flores com seus lápis cor-de-rosa, laranja e azul.

Mas a professora disse:

-- Esperem! Eu vou mostrar como devem fazer! Desenhou uma flor vermelha com um caule verde.

-- Aqui está. Agora vocês já podem começar!

O menino olhou para a flor desenhada pela professora. 

Depois olhou as suas flores. 

Ele preferia as suas às da professora, mas não disse nada. Apenas virou a folha e fez uma flor como a da professora.

Uma flor vermelha com um caule verde...

Num outro dia, quando o menino estava numa aula, ao ar livre, a professora disse:

-- Hoje nós vamos fazer alguma coisa com o barro!

Que bom! – pensou o menino. Gostava de trabalhar com barro. Podia fazer com ele várias coisas: elefantes, carros, camiões..

Começou logo a juntar e amassar a sua bola de barro.

Mas logo a professora avisou:

-- Esperem! Ainda não é hora de começar. Têm de esperar até que todos estejam prontos...

-- Agora! – disse a professora – Vamos fazer um prato.

-Que bom! – pensou o menino. Ele gostava de fazer pratos de todas as formas e tamanhos.

Mas a professora voltou a dizer:

-- Esperem! Vou mostrar como se faz. 

Desenhou um prato fundo e deu ordem para começarem.

O menininho olhou para o prato da professora, olhou para o próprio prato e gostou mais do seu, mas ele não podia dizer isso. Amassou o seu barro numa grande bola novamente e fez um prato fundo, igual ao da professora.

E logo o menino aprendeu a esperar; e a olhar; e a fazer coisas exatamente como a professora.

E deixou de fazer as coisas por si próprio, usando a sua imaginação e criatividade.

Então, sucedeu que o menino e a sua família tiveram de mudar de casa, e irem viver para outra cidade.

Por isso, ele teve de mudar de escola. E a nova escola era ainda maior do que a primeira, e não tinha porta para entrar diretamente para a sua sala. Tinha que subir uma escada com degraus altos e caminhar depois por um longo corredor até chegar à sua sala.

No primeiro dia, a professora disse:

- Hoje vamos fazer um desenho.

Que bom! – pensou o menino.

E esperou que a professora dissesse o que fazer. Porém, ela nada disse. Apenas andava pela sala.

Quando chegou perto do menino, perguntou-lhe:

- Você não quer desenhar?

- Sim, o que é que nós vamos fazer? Eu não sei, até que você o faça primeiro para nós olharmos- respondeu o menino

A professora respondeu que eles é que tinham de imaginar o desenho.

- Como eu posso fazê-lo? perguntou o menino.

- Da maneira que você gostar - respondeu a professora

- E de que cor?

- Se todo mundo fizer o mesmo desenho e usar as mesmas cores, como eu posso saber qual é o desenho de cada um? questionou a professora.

- Eu não sei...- disse o menino.

E começou a desenhar uma flor vermelha com caule verde."

Helen E. Buckley. Ilustração retirada da internet

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