terça-feira, 19 de abril de 2011

Onaldo Queiroga - Esquina Da Vida - O Cronista E Sua Prece - Apresentação - Continuação

Como verdadeiro cronista que é, Onaldo Queiroga dispõe-se a enxergar tudo em derredor de si. Ou melhor, aquilo que aos outros parece oculto. " Ver bem não é ver tudo" - sentencia José Américo de Almeida - " ver bem é ver o que os outros não vêem".

Seria essa a chave do humanismo? O humanismo histórico de Hegel, o super-humanismo de Nietzsche e, mais tarde, todas as derivações assentadas no conceito marxista do mundo, findaram por frustrar a grande revelação desse personagem surpreendente e inesgotável, que é o homem.

O simples fato de jamais ter gozado da unanimidade dos críticos faz da crônica um gênero literário desafiador. Nem por isso há de ser menor. Na estética literária, não há grau de subordinação. Antes de tudo, porque a chama do talento é que deve ser mais intensa do que o brilho do candelabro. O escritor é flama viva - não importa que nome se dê ao gênero de literatura em que se expressa.

É o que deixa entrever Onaldo Queiroga nesta sua obra. A partir dessa consciência é que o escritor projeta o seu mundo - um mundo, se possível, maior e melhor do que a própria realidade de onde ele vem, um universo de representações mais lúcido e mais perfeito do que tudo aquilo que está escrito na própria vida.

Assim, a obra de Cervantes é maior do que o mundo real da cavalaria, assim como Baudelaire supera todos os limites estilísticos ou poéticos do seu tempo e Rimbaud ainda hoje é um mistério inalcançável até aos olhos do pós-modernismo.

O mesmo se pode dizer de todos os pintores impressionistas que seguiram suas intuições, ao invés de se sujeitarem as rigores de uma técnica arbitrária e coercitiva que fosse capaz de turvar a luminosidade de seus tons ou a exuberância de suas formas.

A criação intelectual alimenta-se da própria liberdade de criar. O interesse de conhecer é inseparável da necessidade de revelar. Daí porque a criatura humana busca compreender o mundo ao derredor de si, ao mesmo tempo em que não se contenha em guardar para si o entendimento que, ao longo da vida, vai acumulando. E quando isto é feito a golpes de engenho e arte, aí se consuma o trabalho estético, a verdadeira obra do escritor.

Luiz Augusto Crispim
escritor, poeta, cronista e jornalista

Esquina da Vida
Escritor Onaldo Queiroga.
Páginas 14 e 15 .

continua...

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