terça-feira, 19 de abril de 2011

Onaldo Queiroga - Esquina Da Vida - O Cronista E Sua Prece - Apresentação

O cronista tem muito a ver com aquela figura do muezzin, o muçulmano que sobe ao minarte para anunciar a hora da prece. A crônica é quase uma prece. E o cronista, um rezador de almas. Exorcizando em suas páginas os fatos reais ou imaginários da vida, ele acaba praticando uma espécie de exercícios pleno do mundo, algo que só ganha corpo e só consegue se expressar na planura do texto, porque se tornou imperioso sentir nos abismos da alma.

Nenhum outro gênero literário - e aqui não sofro a menor hesitação de se envolver tão profundamente com a natureza humana em suas mais íntimas e multifacetadas possibilidades. Tudo na crônica é urgentemente humano. Eis aí o ponto nodal do humanismo moderno de modo geral e da crônica em particular.

Mas o humanismo não é um receituário de soluções universalizadas. Começa no século XVIII, com a Revolução Francesa, no espaços abertos pelo pensamento livre, a idéia de que a compreensão da natureza humana, não apenas a physis,como também o thos, não se dá apenas em seus aspectos mais sensíveis, tácteis, mas também em sua expressão mais dramática. Este deveria ser o grande desafio da razão, em suas vertentes mais vivas e mais tensas: na literatura na filosofia.

Sim, porque não seria essa uma tarefa a ser exclusivamente confiada ao filósofo. Este, a partir de Nietzsche, ganha dimensão e prestígio na cena do conhecimento e parece manipular as personagens com absoluto domínio e controle.

A humanidade queria enxergar a todo custo o seu próprio destino.Na esfera dessas grandes ideais, surgiram romances definitivos como " O Vermelho e o Negro". "Tess", "Judas . o obscuro", "Os thibaults", " Os Irmãos Karamazov" e tantas outras narrativas dessa mesma qualidade.

Luiz Augusto Crispim
escritor, poeta, cronista e jornalista

Esquinas da Vida
Escritor Onaldo Queiroga.
Páginas 13 e 14.
continua...

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