Noutra vertente, sem dúvida, as esquinas da noite nos fizeram prestar atenção para quantos semelhantes podemos encontrar a pedir esmolas, gorjetas, a aguentar insultos, pilhérias, a indiferença e o desdém de muitos semelhantes. Pessoas que são tratadas como objetos de um grande novelo representativo do hipócrita e extremo mundo das desigualdades sociais. Em outras esquinas, também pudemos olhar o verdadeiro espelho da vida: sentir a indiferença no agir e no olhar de tantas pessoas; compreender a bipolaridade crescente no mundo; enxergar o mensageiro da verdade. Diante de tudo isso, alguém consegue fazer do lixo cultura. Por outras esquinas, mergulhamos no tempo das botijas, do ser, do ter e do nada; do olhar da saudade que, passando pelo mundo como uma pedra de amolar, fez conhecer a sabedoria do silêncio e de um olhar, de uma lágrima e de um adeus.
Nas esquinas de um mundo velho, pudemos encontrar um comendador em Areia repleto de histórias e sonhos, ainda capaz de, num mundo sem porteiras, romper muros, nos ensinar o endereço da cultura e de um caminho do Cine Lux, proporcionando um reencontro do homem como o cinema. Noutras esquinas, conhecemos o mundo dos moches, o misterioso sumiço dos faroleiros, a força dos tsunamis e a sofrida Caxemira. Mas, ao passar por outras esquinas, percebemos que existem amigos e amigos. Ainda bem que a vida nos presenteou com a amizade de um moreno iluminado.
São essas esquinas que atestam que a sociedade dos desprovidos é vizinha da dos abastados. Destinos infinitamente antagônicos, mas que sempre se encontram nas esquinas da vida. Elas também demonstram que vivenciar tudo isso constitui um exercício constante da fé. Demonstram que, se a média de vida subiu, também é indiscutível que com ela veio a sensação da incrível velocidade do tempo. Nesse contesto, a decantada evolução vem permeando uma extrema e desigual competição no seio da humanidade. Além disso, o medo, a solidão e a incredulidade impiedosamente invadiram o âmago do homem do século XXI.
O certo é que as esquinas ensinam que homem tem de dosar suas ações, buscar o equilíbrio entre a razão e o coração. Esse equilíbrio, sem dúvida, reside na observância da palavra de Deus, que é a sua bússula única na longa estrada da vida.
Que Deus ilumine o caminho da humanidade no transpor de cada esquina:" Choramos ao nascer, sem compreender o mundo em que entramos. Morremos em silêncio, sem entender o mundo em que saímos" (Augusto Cury).
Onaldo Queiroga
Escritor
Esquinas da Vida.
Páginas 9 e 10.
terça-feira, 19 de abril de 2011
Onaldo Queiroga - Esquinas Da Vida - Palavras Do Autor - Final
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