Ao nascer, o ser humano chora, abre os olhos descortina o mundo.Na sua caminhada, o homem, no alvorecer do discernimento, direciona o seu olhar para a estrada da vida. Pelo caminho encontrará muitas esquinas. São elas que permitem o encontro de novas perspectivas no cenário de nossas vidas. Ao se deparar com elas, o homem mergulha em reflexões e decide se segue em frente ou se muda o trajeto do seu destino.
Foi pensando nas esquinas da vida que começamos a construir este livro. Sim foi olhando as esquinas das calçadas da fome, da prostituição, dos artistas, dos miseráveis, da moradia de alguns, da sorte e do azar de outros, do cidadão trabalhador e do sonhador. Sob o mesmo espaço, pulsando muitas vezes ao rítmo do verde, amarelo e vermelho, sinais de um semáforo qualquer a impulsionar destinos diversos, conseguem ainda caminhar num mundo modernamente desumano e de frieza polar.
Esquinas visíveis e outras imaginárias, mas que sempre nos mostram figuras enigmáticas, outras intrigantes e também muitas de rostos comuns. Foram elas que nos possibilitaram conhecer Tranca-Rua, a mulher da calçada, o galego com seu saco nas costas, encontrado durante todo o dia em cada esquina desta cidade. Foram, ainda, as esquinas da vida que nos possibilitaram perceber que artistas como Geraldo Vandré e Jackson do Pandeiro apesar de serem símbolos da ética, da dignidade, da poesia autêntica, de serem representantes maiores do nosso povo, mesmo assim, continuam no esquecimento.
Onaldo Queiroga
Escritor
Esquinas da Vida.
Página 9.
continua...
terça-feira, 19 de abril de 2011
Onaldo Queiroga - Esquinas Da Vida - Palavras Do Autor
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