sábado, 28 de maio de 2011

Carlos Pereira -A Mãe, Vista Por Dois



um conto - uma crônica

Neste segundo domingo de maio, ao prestar a minha homenagem a todas as mães do mundo, começo pedindo emprestado os versos que Mário de Andrade escreveu no longínquo ano de 1926, mas que nunca deixam de ser atuais.

Existirem mães, isso é um caso sério.

Afirmam que a mãe atrapalha tudo,

E fato, ela prende os erros da gente

E, era bem melhor não existir mãe.

Mas, em todo caso, quando a vida está

Mais dura, mais vida, ninguém como a mãe

Pra aguentar a gente escondendo a cara

Entre os joelhos dela.

- O que você tem?... Ela bem que sabe

Porém a pergunta é pra disfaçar.

Você mente muito. Ela faz que aceita,

E a desgraça vira mistério para dois.

Não vê que uma amante nem outra mulher

Entende a verdade que a gente confessa

Por trás das mentiras!

Só mesmo uma mãe... Só mesmo essa dona

Que apesar de ter a cara raivosa

Do filho entre os seios, marcando-lhe a carne

Sentindo-lhe os cheiros,

Permanece virgem, e o filho também...

Oh! Virgens, perdei-vos, pra terdes direito

A essa virgindade que só as mães têm!

E, para terminar, lembro o grande Carlos Drummond de Andrade que, em momento de sublime inspiração, escreveu:

Fosse eu Rei do Mundo, baixaria uma lei:

Mãe não morre nunca,

Mãe ficará sempre junto do seu filho

E ele, velho embora,

Será pequenino, feito grão de milho.

Carlos Pereira
Jornalista, escritor, engenheiro e
professor universitário

Publicada no jornal A União.
Edição 09/05/2009

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