
um conto - uma crônica
Neste segundo domingo de maio, ao prestar a minha homenagem a todas as mães do mundo, começo pedindo emprestado os versos que Mário de Andrade escreveu no longínquo ano de 1926, mas que nunca deixam de ser atuais.
Existirem mães, isso é um caso sério.
Afirmam que a mãe atrapalha tudo,
E fato, ela prende os erros da gente
E, era bem melhor não existir mãe.
Mas, em todo caso, quando a vida está
Mais dura, mais vida, ninguém como a mãe
Pra aguentar a gente escondendo a cara
Entre os joelhos dela.
- O que você tem?... Ela bem que sabe
Porém a pergunta é pra disfaçar.
Você mente muito. Ela faz que aceita,
E a desgraça vira mistério para dois.
Não vê que uma amante nem outra mulher
Entende a verdade que a gente confessa
Por trás das mentiras!
Só mesmo uma mãe... Só mesmo essa dona
Que apesar de ter a cara raivosa
Do filho entre os seios, marcando-lhe a carne
Sentindo-lhe os cheiros,
Permanece virgem, e o filho também...
Oh! Virgens, perdei-vos, pra terdes direito
A essa virgindade que só as mães têm!
E, para terminar, lembro o grande Carlos Drummond de Andrade que, em momento de sublime inspiração, escreveu:
Fosse eu Rei do Mundo, baixaria uma lei:
Mãe não morre nunca,
Mãe ficará sempre junto do seu filho
E ele, velho embora,
Será pequenino, feito grão de milho.
Carlos Pereira
Jornalista, escritor, engenheiro e
professor universitário
Publicada no jornal A União.
Edição 09/05/2009
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